Publicidade
SÃO PAULO – O presidente do BoE (Banco da Inglaterra), Mervyn King, afirmou nesta terça-feira (24) que a instituição deverá levar pelo menos três anos para elevar novamente sua taxa básica de juro e vender os títulos adquiridos durante a crise financeira internacional.
“Nós devemos, em um período de dois ou três anos, iniciar esses dois tipos de ações”, afirmou King. “A dificuldade de julgamento está em saber quanto e quando fazer isso”. Para o presidente do BoE, as duas atitudes teriam efeito similar, não especificando qual viria primeiro.
Compra de ativos
Na última reunião do BoE, as opiniões se dividiram quando o assunto em pauta era a elevação ou não do montante destinado aos programas quantitativos de ajuda do governo.
“Não é surpresa que quando se está em um ponto controverso você obtenha diferentes visões”, comentou King. Segundo a minuta da reunião do BoE, divulgada na semana passada, sete dos nove membros do banco votaram a favor da injeção de mais £ 25 bilhões no programa de aquisição de ativos.
Enquanto isso, outro participante votara a favor de um incremento ainda maior, de £ 40 bilhões, contrastando com um terceiro que preferiria que o programa ficasse inalterado. Após a reunião, o pacote foi elevado de £ 175 bilhões para £ 200 bilhões.
O mercado teme que a divisão de opiniões seja um sinal de que o Banco Central britânico não sabe exatamente o que é melhor para resolver os problemas econômicos atuais.
Continua depois da publicidade
Déficit
Além da questão dos programas e da elevação dos juros, Mervyn King colocou outro ponto importante: o défict estrutural das contas públicas. Para ele, o governo deveria arquitetar um plano agressivo para eliminar o saldo negativo nos próximos cinco anos.
“As receitas provenientes dos impostos devem atrasar por outros cinco a dez anos, como consequência da crise financeira”, informou. Para ele, se o governo falhar em trazer um plano forte para conter os desequilíbrios fiscais, isso pode colocar o rating de crédito “AAA” do Reino Unido em risco.
Continua depois da publicidade
Contudo, King apressou-se em ressaltar que “não há risco imediato” de rebaixamento do rating soberano da região.