Merrill Lynch vê pouca correlação entre câmbio e ações nos EUA

Banco diz que eventual fortalecimento do dólar sugere, mas não determina ganho para setores domésticos

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SÃO PAULO – Para o banco de investimentos Merrill Lynch, a crise norte-americana já não é mais um “dilema de liquidez” e sim um enfraquecimento dos fundamentos econômicos do país.

Dessa forma, após a última decisão do Federal Reserve de baixar a taxa básica de juro em 25 pontos base, para 2% ao ano, a instituição entende que a autoridade monetária irá adotar uma postura de “esperar para ver” na próxima reunião – marcada para 24 e 25 de junho.

Como resultado, afirma análise do banco, muitos investidores estão agora contemplando um fortalecimento do dólar. Por conta disso, a equipe de analistas da Merrill Lynch avalia se a questão cambial tem força de influência sobre o mercado de ações norte-americano.

Dólar forte?

Considerando que o Fed irá dar uma pausa no afrouxamento monetário e o dólar seguirá uma valorização, o banco avalia quais setores poderiam se beneficiar nesse cenário. Os economistas ressaltam, porém, que os ciclos do dólar tendem a durar muitos meses uma vez estabelecida a direção – sendo que o histórico recente é de queda.

O banco afirma que não existe muita correlação entre o ciclo da moeda e o das ações norte-americanas, porém, observou em seus estudos uma predominância nas relações positivas. Em vista disso, adverte: “é muito difícil para um investidor tirar conclusões de longo prazo baseado somente nas correlações cambiais”.

Ou seja, a Merrill Lynch recomenda maior exposição a ativos que reagem com pouca intensidade às flutuações cambiais.

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Setores da economia doméstica

Ainda assim, o banco aponta que setores com foco na economia doméstica dos EUA – como varejo, financeiro, e eletricidade e saneamento – tendem a valorizar-se mais com o dólar forte.

Já os setores de energia (petróleo e gás) e de matérias-primas respondem melhor a períodos de enfraquecimento da moeda norte-americana, devido às suas dependências ao mercado externo. Por último, os setores de indústria e tecnologia apresentam pouca correlação com o desempenho da divisa em âmbito internacional.