Merrill Lynch reduz recomendação nos títulos da dívida externa brasileira

Decisão não refletiu alteração nos fundamentos da economia, mas visou apenas a diminuição da exposição em bônus agressivos

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SÃO PAULO – A corretora norte-americana Merrill Lynch rebaixou, nessa segunda-feira, sua recomendação para os títulos da dívida externa brasileira de overweight para marketweight, em conseqüência dos efeitos do aumento do rendimento dos Treasuries sobre os bônus dos países emergentes.

Com isso o Brasil, com maior participação e o mais agressivo dentro da carteira de bônus de emergentes, apresenta vulnerabilidade nesse contexto.

Decisão foi tática e não refletiu mudanças nos fundamentos

A corretora salientou que a mudança de recomendação não reflete uma mudança nos fundamentos da economia brasileira, mas sim em uma menor exposição em ativos agressivos em um mercado incerto.

Além disso foi ressaltada a necessidade das reformas Previdenciária e Tributária, que devem ser aprovadas entre seis e nove meses, além do corte de até 800 pontos base na taxa Selic até o final de 2004, medidas que devem impulsionar o consumo e outras fontes de crescimento.

Finalmente, a Merrill Lynch recomendou a redução da exposição nos bancos (cujas ações têm pesada correlação com o C-Bond), principalmente do banco Itaú, e o aumento na exposição em empresas exportadoras, especialmente a Companhia Vale do Rio Doce. Segundo a corretora, os setores que devem apresentar melhor desempenho são os de mineração e siderurgia, petróleo e gás, varejo e papel e celulose.