Merrill Lynch: pesquisa com gestores mostra preocupação com crescimento global

Levantamento do banco de investimentos mostrou aumento das preocupações com crescimento e inflação

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SÃO PAULO –

A pesquisa com os gestores de fundos globais, realizada pelo banco de investimentos Merrill Lynch no mês de abril, demonstrou um aumento das preocupações com o crescimento econômico mundial e com o avanço das pressões inflacionárias.

Também vale destacar uma pergunta especial feita pelo banco norte-americano, que questionava os gestores sobre as atitudes em caso de desvalorização da moeda chinesa, dividindo as opiniões.

Desaceleração do crescimento preocupa

A pesquisa realizada mensalmente pelo banco norte-americano mostrou que a porcentagem líquida dos gestores que acreditam em aceleração do crescimento global caiu de “mais 11%” em março para “menos 20%” em abril. Isso significa que a diferença entre os gestores que acreditam e os que não acreditam em um maior crescimento, que era positiva em 11% no mês passado, passou a ser negativa em 20% em abril.

A expectativa de crescimento dos lucros das empresas também caiu no mês. De acordo com a pesquisa do banco, a expectativa de crescimentos dos lucros passou de “mais 4%” no levantamento anterior para “menos 17%” em abril.

A pesquisa, no entanto, mostrou uma mudança nas preocupações com o cenário corporativo. Se, em março, a preocupação era com o menor crescimento das receitas, em abril, o que preocupa os investidores é a expectativa de recuo das margens, com porcentagem líquida de 30%.

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Expectativas de inflação não se alteram

A desaceleração do crescimento, no entanto, não alterou as perspectivas de inflação dos gestores em abril, uma vez que 70% deles ainda acreditam que os núcleos de inflação nos próximos doze meses serão maiores do que os verificados nos doze meses anteriores.

Assim, apenas 2% dos gestores acreditam que as taxas de juros de curto prazo serão menores do que nos últimos doze meses e 41% deles acreditam que a política monetária ainda é muito estimulante. De fato, a maior parte dos gestores acredita que o Fed tem de elevar as taxas em 100 pontos base antes de alcançar uma política monetária neutra.

O que fazer caso a China desvalorize sua moeda?

A pesquisa de abril trouxe uma pergunta especial para os gestores: quais seriam as mudanças na alocação de ativos se o governo chinês valorizasse sua moeda em 10% amanhã? Uma porcentagem líquida de 38% acredita que a medida seria negativa para os títulos do tesouro norte-americano, uma vez que a China teria de comprar menos destes títulos para fins de intervenção.

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Em relação ao mercado de ações norte-americano, no entanto, com um diferença líquida de 16%, os gestores apostam que o impacto seja positivo, uma vez que as empresas devem se tornar mais competitivas não só em relação às chinesas, mas também em relação às empresas do Japão.

Quanto ao impacto sobre as commodities, as opiniões dos gestores divergem: 34% dos gestores acreditam que seria positivo, enquanto os mesmos 34% acreditam que o impacto seria negativo.