Merrill Lynch e Wachovia correm risco de falência, diz estrategista

Soma de gastos com capitalizações e pagamentos dos ARS deverá pressionar os bancos, afirma David Kotok

Rafael Souza Ribeiro

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SÃO PAULO – Depois dos créditos subprime, o novo pesadelo dos bancos norte-americanos são os ARS (Auction-Rate Securities), operações com taxas de juro definidas em leilão.

A expectativa é de que as investigações da SEC (Securities and Exchange Commission) acerca de irregularidades nas vendas dos títulos por parte das instituições culminará na recompra dos ativos pelas próprias.

O novo problema já repercute negativamente na imagem das financeiras norte-americanas, e alguns analistas já estimam depreciações expressivas ao patrimônio dos bancos.

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Falência em questão

Em entrevista à agência de notícias CNBC, David Kotok, CEO e chefe da área de investimento da Cumberland Advisors, reiterou que bancos como Merrill Lynch e Wachovia correm risco de falir devido à soma de gastos com capitalizações no mercado e pagamentos de ARS.

Para Kotok, as financeiras norte-americanas deverão desembolsar cerca de US$ 100 bilhões para se livrar dos títulos considerados de qualidade ruim pelo mercado, mais um custo alto para o já depreciado balanço.

O saldo desta conta, como já é de se esperar, são os prejuízos reportados pelos bancos nos últimos trimestres e as perspectivas negativas para os próximos resultados.

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Isso não é nem a metade

Na visão de Kotok, o problema financeiro é uma parte das dificuldades que as instituições estão enfrentando. Para o analista, ainda será apresentado um novo complicador, com impactos “mais severos”.

Em meio aos rumores, as ações da Merrill Lynch abrem em baixa de 1,26%, enquanto os papéis do Wachovia em queda de 0,83%.