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SÃO PAULO – O banco de investimentos Merrill Lynch revisou para baixo sua projeção de crescimento para a economia global, que passou de 4,7% para 4,5%. Já a elevação da estimativa de inflação foi expressiva, de 3,4% para 4,5%.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (14), o banco destaca que, além do risco inflacionário, que foi a “surpresa do cenário macro em 2008”, existem sinais de que a economia global ainda não atingiu o fundo da crise. A Merrill Lynch observa que nas últimas três semanas, investidores se desfizeram de importantes posições nas praças financeiras ao redor do globo.
Efeitos “exportados”
Ao mesmo tempo, a análise considera a tradição dos países que enfrentam problemas pela alta dos preços, principalmente os emergentes, em subir as taxas de juros, o que leva a uma apreciação da moeda local, para afirmar que, no final, os efeitos dessa cadeia econômica são “exportados” para os países desenvolvidos, particularmente os Estados Unidos.
Recessão em curso
Em relação à economia norte-americana, o banco afirma que o pior da crise nos mercados financeiros já passou, mas a recessão apenas trilhou “um quarto” de seu caminho, apontando que o país ainda deve seguir com esse quadro até o final do ano. A equipe da Merril Lynch acredita que “vimos somente 10% da retração do emprego e a contração do consumo está apenas começando”.
Como exemplo dos “obstáculos inesperados” que a trajetória da recessão norte-americana pode apresentar, o relatório cita a recente queda de 12% no lucro trimestral da GE.
Na semana que começa, o banco aconselha investidores a estarem atentados aos indicadores econômicos dos Estados Unidos. As vendas no varejo demonstraram certa recuperação em março, mas ainda falta conhecer o índice de preços ao consumidor e ao produtor, além dos discursos de autoridades do Federal Reserve, agendadas para os próximos dias. O banco também atenta para a publicação do Beige Book, compêndio econômico organizado pelo Fed.