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SÃO PAULO – A chanceler alemã, Angela Merkel, conquistou apoio a sua postura em relação aos planos de compra de bônus do BCE (Banco Central Europeu) de um importante líder de seus aliados bávaros nesta segunda-feira (10), após outros partidos acusarem o programa de ser perigoso e possivelmente ilegal.
O presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou na semana passada que o banco central está pronto para comprar quantidades ilimitadas de bônus emitidos por países-membros da zona do euro, sob a condição de que eles solicitem formalmente auxílio e respeitem rígidas condições relativas a sua política econômica interna.
A medida tem o objetivo de apoiar a frágil zona do euro ao reduzir os custos de financiamento de grandes países como Itália e Espanha, mas gerou preocupação na Alemanha, onde alguns temem que o BCE esteja se aventurando para além de seu mandato e potencialmente expondo contribuintes a bilhões de euros em dívida de alto risco.
Merkel expressou apoio ao plano de Draghi, dizendo a parlamentares conservadores em uma reunião a portas fechadas nesta segunda-feira que a medida é consistente com as regras do BCE, disseram participantes do encontro à Reuters.
Mas membros da União Social Cristã (CSU, na sigla em alemão), partido associado à União Democrata-Cristã (CDU, em alemão) de Merkel na Bavária, adotaram uma postura fortemente crítica do plano de compra de bônus, expondo divisões em sua coalizão.
Nesta segunda-feira isso mudou, com a líder parlamentar da CSU na Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento alemão), Gerda Hasselfeldt, distanciando-se das críticas de seus colegas de partido e expressando seu firme apoio ao BCE e, como consequência, a Merkel.
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“Nós apoiamos a independência do BCE, pela qual a Alemanha lutou fortemente, mesmo em relação a decisões que nos causam mal-estar”, disse Gerda à Reuters.
“O BCE deixou claro que a solidariedade, para eles também, não é uma via de mão única. Compra de bônus vai e deve apenas acontecer quando o país interessado se submeter às regras do mecanismo de resgate”, completou.
O apoio da aliada será bem recebido por Merkel, que foi alvo de críticas da mídia conservadora alemã e de alguns economistas por amparar tacitamente o plano de Draghi.
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Oposição do Bundesbank
O presidente do Bundesbank (banco central alemão), Jans Weidmann, opôs-se à decisão do BCE anunciada na quinta-feira passada, e alguns conservadores concordam com sua visão de que os planos violam um tabu sobre financiamento de déficits estatais. Eles também temem que o programa venha a acabar com a independência do BCE perante políticos.
O ministro das Finanças bávaro, Markus Soeder, membro da CSU, disse que os planos do BCE se estendem “bem além” de seu mandato, elevam o risco de inflação e ampliam as obrigações da Alemanha.
“Em nossa opinião, é um caminho perigoso”, disse, adicionando que o banco está se tornando uma “super autoridade” europeia.
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Tanto Soeder quanto seu colega de partido Alexander Dobrindt expressaram apoio a outro aliado, Peter Gauweiler, que disse no domingo que havia registrado uma queixa contra os planos do BCE junto à Corte Constitucional Alemã.
Gauweiler disse que o tribunal pode ter de adiar sua amplamente aguardada decisão sobre o novo fundo de resgate da zona do euro nesta semana devido à queixa.
O tribunal em Karlsruhe deve decidir na terça-feira se vai emitir um veredito em relação ao fundo de resgate ou se adiará a decisão ainda mais para considerar a queixa. Um porta-voz de Merkel disse nesta segunda-feira que o governo espera que a corte dê prosseguimento à decisão, como anteriormente previsto.
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“Nada mudou (por conta da queixa). Também acreditamos que nada mudou substancialmente. Essa é a posição do governo”, disse o porta-voz Steffen Seibert.