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SÃO PAULO – Os principais mercados internacionais voltam a operar em campo positivo nesta quinta-feira (17), em um movimento que marca correção em relação às fortes quedas da véspera. Ainda assim, o temor de que a crise nuclear no Japão pode aumentar ainda mais o tamanho da catástrofe no país se mantém como pano de fundo.
Com menor percepção de risco, os futuros dos índices em Wall Street passam a subir, enquanto as bolsas europeias operam também em alta. Além do acompanhamento das tentativas de resfriar um dos reatores da usina de Fukushima Daiichi, a intensa agenda econômica nos Estados Unidos também deve ter sua contribuição no direcionamento dos mercados, com destaque para a produção industrial norte-americana.
Tarde para ação?
O barril de petróleo, por sua vez, avança, e em Nova York volta a encostar nos US$ 100. A batalha entre insurgentes e o governo na Líbia segue violenta, com relatos de que confrontos teriam ocorrido na estrada para Benghazi, uma das cidades ainda sob controle dos manifestantes.
Os Estados Unidos discutiram, na véspera, a possibilidade de ataques aéreos para conter os avanços das forças leais a Muammar Gaddafi, mas alguns analistas acreditam que o debate entre potências internacionais sobre a possibilidade de uma intervenção já demorou demais, e agora os combatentes esforçam-se para manter posições.
No Japão, os esforços para reverter os problemas que ocorreram na usina nuclear de Fukushima Daiichi após o terremoto na última semana continuam. Militares utilizam helicópteros para tentar despejar água sobre os reatores, e assim impedi-los de derreter. Enquanto isso, dentro do governo norte-americano aumenta o tom de alarme quanto ao vazamento de radiação e o perigo iminente de uma explosão.
Engenheiros no local tentam retomar o fornecimento de energia para a planta, o que capacitaria as bombas de água a voltarem a funcionar. A Tokyo Electric Power, a empresa responsável pela usina, teria dito que esperava que o fornecimento fosse restaurado “em breve”.
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Ação coordenada pelo G7
Apesar da percepção um pouco menor de risco, os mercados devem manter posições defensivas, acredita Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora. “A falta de informações confiáveis sobre o risco de um iminente desastre nuclear no país deixa todo mundo nervoso, abre espaço para todo tipo de especulação e fortalece a volatilidade”, apontou em nota a clientes.
O mercado aguarda também uma reunião dos ministros das Finanças e dos presidentes dos bancos centrais do G7 (o grupo da sete economias mais ricas do mundo), prevista para a noite desta quinta-feira, de acordo com o horário de Brasília. De acordo com o ministro das Finanças japonês, o país irá apresentar o levantamento dos estragos com o terremoto, o movimento nos mercados financeiros e a ação tomada pelo governo até agora, segundo a imprensa internacional. Espera-se que o encontro resulte em uma ação coordenada entre as potências para acalmar investidores.
Agenda dos EUA no radar
Além desses eventos pouco previsíveis, a agenda econômica da sessão também pode guardar surpresas. Nos Estados Unidos, além do semanal número de pedidos de auxílio-desemprego, há expectativa também para a utilização da capacidade instalada, a produção industrial e os preços ao consumidor, que para Paul Donovan, do UBS, já devem mostrar efeito do aumento dos preços dos combustíveis.
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Os indicadores antecedentes e a atividade manufatureira na Filadélfia também são aguardados para esta quinta. Passando para a Europa, a Espanha vendeu € 4,1 bilhões em títulos com vencimento em 10 anos e 30 anos. Os juros cobrados diminuíram para 5,162% em relação à última emissão de bônus do mesmo tipo, e a demanda, que foi de 1,81 vezes a oferta, aumentou.
Medidas cambiais postergadas
Por aqui, sem dados relevantes, a atenção segue com os desdobramentos nos mercados internacionais. A volatilidade trazida de fora e a aversão ao risco também têm segurado as cotações do dólar, o que, segundo Julio Hegedus, economista da InterBolsa Brasil, fez com que o governo adiasse medidas cambiais, esperadas para após o Carnaval. Em sua opinião, a atitude adotada é de compasso de espera, observando o desenrolar da tragédia no Japão.