Mercados têm reação divergente a dados sobre emprego nos EUA

Paul Volcker, ex-presidente do Fed, afirmou que os riscos para inflação limitam os efeitos positivos dos estímulos do Fed

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SÃO PAULO – Avaliano os dados melhores que o esperado sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, os mercados internacionais registram desempenho divergente nesta sexta-feira (5), incorporando as tensões relacionadas à economia global e os resultados desfavoráveis sobre o setor financeiro.

Como de costume, o dia de divulgação do Relatório de Emprego norte-americano acentua a ansiedade dos investidores,  que viram a manutenção da taxa de desemprego em 9,6%, ao lado da criação de 151 mil postos de trabalho durante o mês de outubro, frente aos 60 mil projetados.

Ainda assim, os índices de referência nas principais bolsas europeias operam em queda, ao passo em que os mercados futuros norte-americanos revertem as perdas iniciais e reagem com leve alta.

Ceticismo
Também se multiplicam as respostas de autoridades à nova rodada de estímulos quantitativos anunciada pelo Federal Reserve na última quarta-feira, com expectativas de ampliação do fluxo de investimentos em direção a países emergentes. Cético, Paul Volcker, ex-presidente do Fed, afirmou que os riscos para inflação limitam os efeitos positivos dos estímulos quantitativos. 

Já no outro lado do Atlântico, os mercados permanecem atentos à situação fiscal, paralelamente à queda do volume de comércio varejista em 0,2% na Zona do Euro, na passagem de agosto para setembro. “Acreditamos que o Banco Central Europeu vai por em vigência sua aquisição de títulos do governo Irlandês em breve”, apontou o Danske Bank, em relatório.

Encerrando o giro pelos mercados de ações, o índice Nikkei fechou em forte alta pelo segundo pregão consecutivo, em meio à manutenção das medidas de política monetária pelo BoJ (Bank of Japan), além do impulso favorável do desempenho trimestral da Toyota, que elevou seu guidance de lucro líquido em ¥ 10 bilhões para o ano fiscal.

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Quebrando o ritmo
Deslocando parcialmente o foco dos investidores, a temporada de resultados corporativos tem sido capaz, em geral, de reduzir as pressões de avaliações desfavoráveis sobre a recuperação econômica global.

Entretanto, os destaques deste dia são menos generosos. As ações do Royal Bank of Scotland registram forte queda de 3,8% em Londres, após o banco parcialmente estatizado revelar seu desempenho no terceiro trimestre e expectativas menos favoráveis para sua recuperação.

Outro gigante derrubado durante a crise de 2008, a seguradora norte-americana AIG, revelou perdas de US$ 2,4 bilhões atribuíveis à companhia, levando seus papéis a recuarem 2,1% nas negociações de pré-market em Nova York.

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Cenário doméstico
No Brasil, os investidores acompanham a divulgação de resultados de peso, como os da siderúrgica Gerdau e da Lojas Americanas, que registraram lucro líquido de R$ 609 milhões e R$ 45,1 milhões, respectivamente.

Por fim, o único indicador relevante esperado para o dia é o Índice de Custo de Vida, calculado pelo Dieese. No relatório constam informações a respeito do custo de vida dos moradores do município de São Paulo, através de dados referentes à assistência a saúde, transporte coletivo e domicilio.