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Mercados internacionais “contaminam” Ibovespa, que sobe perto de 1% nesta sexta

Depois oscilar perto de zero e até flertar com um movimento de queda, o índice passou a subir beneficiado pelo bom humor nas bolsas lá fora

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SÃO PAULO – O Ibovespa tomou um susto após a divulgação do Relatório de Emprego dos EUA e caiu 600 pontos das 11h30 (horário de divulgação do indicador) até às 11h35. Apesar disso, o índice voltou a subir depois das 14h beneficiado pelo bom humor que marca as sessões da maior parte das bolsas internacionais. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones se aproxima das máximas históricas aos 18 mil pontos. 

Às 15h14, o benchamrk opera com alta de 0,93%, a 51.903 pontos, enquanto o dólar sobe 0,51%, a R$ 2,603. Segundo o analista da Guide Investimentos, Lauro Vilares, o Ibovespa brasileira chegou a testar o suporte das mínimas de novembro, mas acabou sendo puxado para cima por conta das altas lá fora. 

A criação de empregos nos Estados Unidos atingiu em novembro seu maior nível desde janeiro de 2012, segundo dados do Departamento de Trabalho. Foram criados 321 mil empregos no mês, superando a projeção mais otimista feita por pesquisa de economistas da Bloomberg, e segue um avanço de 243 mil registrado em outubro. Resultado melhor que o esperado dos indicadores aumenta a expectativa de retirada de estímulos nos EUA.

As horas trabalhadas na semana também aumentaram 6 minutos para 34,6 horas. Uma semana de trabalho mais longa frequentemente significa maior pagamento para os trabalhadores.

Os indicadores bons da economia americana refletem negativamente aqui porque podem significar um aumento antes do esperado nos juros básicos pelo Federal Reserve. Um aumento nas taxas de juro lá significa que mais investidores vão migrar para os títulos americanos, por serem considerados mais seguros que os ativos de países emergentes. 

O dólar futuro, negociado na BM&F, seguiu a direção contrária da Bolsa no mesmo intervalo e virou para alta, marcando leves ganhos de 0,2%, a R$ 2,616. 

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) medido pelo IBGE ficou em 0,51% no mês de novembro, levemente abaixo da expectativa de aceleração para 0,54% em novembro segundo mediana de projeções de analistas, avançando para 6,56% em 12 meses, ainda acima do teto da meta do governo de 6,5%. 

Mercado ainda reflete novo texto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) com previsões consideradas mais realistas para a economia. O crescimento do PIB foi revisado de 2% para 0,8%, enquanto a previsão do superávit primário foi para 1,2% ante 2%.

Destaques
As ações da Petrobras (PETR3; R$ 11,46, +0,26%; PETR4; R$ 12,25, +0,16%) caíam depois do rebaixamento do rating individual BCA da estatal pela Moody’s de baa3 a ba1 na última quarta. 

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No noticiário corporativo, os acionistas da Oi (OIBR3; R$ 1,24, +1,64%) aprovaram a venda dos ativos da Portugal Telecom para a Altice. A expectativa é que transação seja submetida à assembleia de acionistas da PT, em Portugal, até o dia 20. Com a venda dos ativos portugueses, a Oi, que tem dívida de R$ 48 bilhões, aumenta o fôlego para participar da consolidação do setor, segundo a fonte. Além dos acionistas da PT, o negócio com a Altice também está condicionado à aprovação de órgãos de concorrência.

Já a Ambev (ABEV3; R$ 15,92; +1,34%) sobe repercutindo cautelosamente o anúncio de novo imposto sobre bebidas frias. As empresas fabricantes do setor receberão um abatimento de tributos nos próximos três anos, para evitar que a mudança no modelo de tributação em 2015 provoque um aumento dos preços ao consumidor. A proposta fechada pelo governo com o setor, e incluída como emenda na Medida Provisória 656 que está no Congresso, prevê um aumento da carga tributária em torno de 10%. Ainda assim, a medida vai reforçar o caixa do governo em R$ 1,5 bilhão no ano que vem. As empresas aplaudiram o novo modelo porque ele acaba os reajustes periódicos de alíquotas e corrige distorções do modelo atual.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON5,70+4,78-60,3614,99M
 USIM5 USIMINAS PNA5,17+4,44-63,6218,64M
 TIMP3 TIM PART S/A ON11,77+3,70-1,8213,50M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N29,09+3,53+1,636,05M
 FIBR3 FIBRIA ON31,05+3,12+12,3045,24M

 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 RSID3 ROSSI RESID ON3,11-6,61-69,517,44M
 ELET3 ELETROBRAS ON5,69-3,23+2,1812,51M
 ELET6 ELETROBRAS PNB6,79-3,14-21,4410,83M
 RLOG3 COSAN LOG ON2,89-2,36n/d2,43M
 POMO4 MARCOPOLO PN N23,82-1,80-21,587,58M

 

Cenário externo
A sessão é de ganhos para a maior parte das bolsas mundiais na manhã desta sexta-feira (5). A maior parte das bolsas asiáticas fecharam em alta, esperando divulgação relatório de emprego dos Estados Unidos. Depois de divulgado o indicador, altas lá fora se aceleraram. Destaque para os índices acionários norte-americanos com o Dow Jones subindo 0,45%, a 17.979, perto dos níveis máximos históricos de 18 mil pontos. O Nasdaq também subia 0,37%, a 4.787 e o S&P 500 subia 0,29%, a 2.078. 

O índice japonês Nikkei conseguiu se recuperar de perdas e fechou com alta de 0,19%. Já a bolsa de Shangai fechou com ganhos de 1,36%, após uma sessão de bastante volatilidade. Na China, destaque para a notícia da agência de notícias oficial Xinhua de que o país continuará implementando política fiscal proativa e prudente em 2015.

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Na Europa, o dia também é de ganhos, com dados dos EUA e digerindo a fala de Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu). Na quinta-feira, Draghi disse que o banco central poderia “intensificar” novas compras de ativos no ano que vem. As declarações foram feitas em meio a relatos de que o banco central está considerando um pacote de flexibilização quantitativa para a sua próxima reunião, em janeiro.

Entre os dados econômicos do dia, destaque para a Alemanha, cujas encomendas industriais subiram bem mais do que o previsto em outubro, mas o Bundesbank, banco central do país, cortou as previsões de crescimento para a maior economia da Europa.

As encomendas subiram 2,5 por cento em outubro na comparação mensal, graças à forte demanda interna, enquanto o apetite estrangeiro foi moderado, informou o Ministério da Economia nesta sexta-feira. Mas o Bundesbank reduziu pela metade sua previsão de crescimento de 2015, para 1,0 por cento, e também cortou sua estimativa para este ano, a 1,4 por cento a partir da previsão de 1,9 por cento feita em junho. Também reduziu sua previsão para 2016, para 1,6 por cento.

(Com Reuters)