Mercados iniciam semana com ganhos acentuados e Ibovespa dispara 5,01%

Alta das commodities orienta rali do índice por aqui, enquanto ânimo com banco guia bolsas lá fora; dólar cai para R$ 2,076

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SÃO PAULO – Após enfrentarem uma semana de realização de lucros, os mercados experimentaram uma segunda-feira (18) de expressivos ganhos. Enquanto o ânimo com o setor financeiro impulsionou Wall Street, a valorização no preço das commodities orientou a disparada do Ibovespa. Amparado por blue chips e ações do setor varejista, o índice subiu 5,01% – maior alta percentual em duas semanas. A temporada de resultados corporativos também influenciou os negócios lá fora, enquanto o vencimento de opções impulsionou o volume por aqui.

Além das ocorrências favoráveis na cena corporativa, o bom humor nos mercados externos contou ainda com sinais de melhora no setor imobiliário dos EUA. O índice de confiança do setor atingiu 16 pontos em maio – segundo aumento mensal consecutivo. “Este novo acréscimo do índice aponta que, de acordo com a percepção dos construtores, o mercado já atingiu ou está próximo de alcançar o fundo do poço, e ainda, que estes veem sinais positivos de recuperação à frente” disse David Crowe, economista-chefe da NAHB (National Association of Home Builders).

Depois de terem sido incluídos na lista de “compra convicta” da equipe do Goldman Sachs, os papéis do Bank of America registraram forte alta de 9,93%. Enquanto isso, o próprio Goldman teve o preço-alvo de seus papéis elevado pelo Citigroup e viu seus ativos dispararem 6,51%. Por sua vez, a AIG (+6,4%) anunciou que planeja agilizar o IPO (Initial Public Offering) de sua subsidiária asiática em Hong Kong, a fim de levantar mais de US$ 4 bilhões no processo.

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Passando para o mercado de commodities, o preço do petróleo foi impulsionado por ameaça de um grupo militante separatista da Nigéria e a explosão em uma refinaria da Sunoco nos EUA. Na cena corporativa, os resultados divulgados pela varejista Lowe’s (+8,08%) também trouxeram ânimo aos investidores. A empresa teve lucro líquido de US$ 476 milhões, ou US$ 0,32 por ação, decréscimo de 22% frente ao revelado no mesmo período do ano passado, mas acima da expectativa dos analistas.

Mineração e varejo

Recuperando parte das perdas registradas na última semana, o Ibovespa fechou com expressivo avanço, acompanhando a tendência das bolsas norte-americanas. O fôlego dos papéis de Vale e produtoras de alimentos deram suporte ao índice. Também em destaque, o vencimento de opções sobre ações, que ocorre sempre na terceira segunda-feira de cada mês, movimentou R$ 2,48 bilhões.

No caso da mineradora, o rali dos papéis tem raízes em especulações sobre uma recuperação na demanda por aço. Sua rival anglo-australiana Rio Tinto disse que a China pode estar armazenando aço em resposta às especulações de que as despesas do governo irão impulsionar a demanda pelo produto. Também beneficiadas pelo cenário, as siderúrgicas viram seus papéis registrarem forte alta nesta sessão, com destaque para Usiminas e Gerdau.

Já no setor de consumo e varejo, a trajetória ascendente dos papéis foi influenciada pelas especulações de que os menores custos para empréstimos irão estimular os gastos com consumo. No destaque positivo do índice figuraram as ações de Lojas Renner e B2W.

Também chamou atenção a viagem do presidente Lula à China, em busca de investimentos para o Brasil – em especial um crédito de US$ 10 bilhões para a Petrobras. Por sua vez, a notificação feita à ANP (Agência Nacional do Petróleo) sobre uma nova descoberta de indícios de hidrocarbonetos também parece ter agradado os investidores. Os papéis da estatal acumularam fortes ganhos.

Maior alta percentual em duas semanas

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Com apenas dois papéis no campo negativo, o Ibovespa fechou com alta de 5,01%, de volta aos 51.463 pontos. O volume financeiro do índice totalizou R$ 7,8 bilhões.

Já no destaque negativo do índice apareceram os papéis da CCR, que estenderam as perdas do último pregão e terminaram com tímida desvalorização.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
LREN3 Lojas Renner ON 23,93 +11,67 +53,31 49,07M
BTOW3 B2W Varejo ON 39,06 +11,28 +65,26 51,62M
TCSL3 TIM Part ON 7,73 +9,34 +57,43 2,63M
GGBR4 Gerdau PN 18,29 +8,48 +21,86 122,50M
USIM3 Usiminas ON 32,35 +8,34 +27,57 12,44M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
CCRO3 CCR Rodovias ON 28,60 -0,52 +22,77 16,98M
ELPL6 Eletropaulo PNB N2 30,50 -0,33 +35,24 37,41M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg
PETR4 Petrobras PN32,71+4,50892,28M680,14M 20.844
VALE5 Vale Rio Doce PNA 33,13+6,29835,24M584,10M 20.976
BVMF3 BMF Bovespa ON 11,30+6,20215,44M188,11M 11.764
ITAU4 Itau Unibanco PN 29,76+4,83196,05M219,90M 7.601
PETR3 Petrobras ON40,85+4,80165,42M182,81M 5.487

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar cai

Após os ganhos apresentados na última semana, o dólar comercial fechou a segunda-feira com queda de 1,56%, sendo cotado a R$ 2,076. O bom humor do mercado contribuiu para a desvalorização da divisa norte-americana frente ao real. No âmbito interno, a nova compra de dólares do Banco Central, o superávit da balança comercial e o relatório Focus foram os destaques.

Por aqui, o Banco Central aprovou a circular 3.454, que visa adequar o RMCCI (Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais) aos dispositivos da Resolução 3.719, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional.

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A autoridade monetária brasileira também realizou mais uma compra de dólares no mercado à vista – a sétima intervenção seguida do banco no mercado cambial. De acordo com o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), a operação foi realizada entre às 15h14 e às 15h24 (horário de Brasília) e a taxa aceita ficou em R$ 2,0779.

A balança comercial referente à segunda semana de maio teve um saldo positivo de US$ 505 milhões, diferença de exportações da ordem de US$ 3,026 bilhões e importações de US$ 2,521 bilhão. Com o resultado, o saldo acumulado no ano avançou para US$ 7,774 bilhões.

Já a versão semanal atualizada do relatório Focus mostrou que o mercado prevê uma inflação mais amena, com leve queda nos índices de preços ao consumidor e nos índices gerais de preços.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em baixa na BM&F Bovespa nesta segunda-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,32%, queda de 0,01 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 130,80% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,19%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 320 pontos-base, baixa de 11 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em forte alta de 3,11% e atingiu 1.732 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 3,04% a 910 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, subiu 2,85% a 8.504 pontos.

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Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou alta de 2,42% e atingiu 4.852 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 2,41% chegando a 3.245 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 2,26% a 4.446 pontos.

Confira os indicadores previstos para a terça-feira

Internamente, a terça-feira (19) começa com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresentando o IPC (Índice de Preço ao Consumidor) referente à segunda quadrissemana de maio. O índice é baseado em uma pesquisa de preços feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham de 1 a 20 salários mínimos.

Já nos EUA sairão os índices Housing Starts e Building Permits, que medem, respectivamente, o número de casas que começaram a ser construídas e o número de autorizações para a construção de imóveis que foram concedidas no mês de abril.