Mercados externos operam instáveis, ainda de olho na Europa

Contratos futuros dos principais índices acionários sobem, enquanto na Europa maioria dos indicadores está em alta

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SÃO PAULO – Os principais mercados acionários operam instáveis na sessão desta terça-feira (17), depois de fecharem em queda no pregão da véspera, que foi marcado pela preocupação acerca da crise fiscal na Europa, bem como da prisão do diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices acionários sobem. A agenda do dia traz o número de construções residenciais iniciadas em abril e alvarás concedidos no mesmo período. “A expectativa é de que esse indicador tenha tornado a subir em abril, impulsionado pela construção de apartamentos residenciais”, diz a LCA. Outro indicador é a produção industrial, que deve perder força em abril.

Sobre a economia norte-americana, em encontro anual de sua gestora, a Berkshire Hathaway, o investidor Warren Buffett disse que os “Estados Unidos não vão ter uma crise de sua dívida enquanto manter seus débitos em sua própria moeda”, o que causou espanto na plateia, de acordo com o Market Watch. “A única coisa que temos de nos preocupar é com a inflação”, afirmou.

Na Europa, a maioria dos índices das bolsas opera em alta. De acordo com o analista da UBS, Paul Donovan, o grupo de ministros das finanças dos países da Zona do Euro está sugerindo que a Grécia mude o perfil de sua dívida. “Essa mudança não é uma reestruturação ou um calote. Isso somente significa falhar ao pagar aos detentores de títulos o dinheiro que lhes é devido”.

“No Brasil, o principal evento do dia será a divulgação dos números do Caged de abril, que darão novos sinais do andamento do mercado de trabalho, com reflexos nos juros. Para a bolsa e câmbio, a volatilidade vinda de fora deve seguir predominando”, diz a diretora de câmbio da AGK, Miriam Tavares.

Europa atenta a problemas fiscais
Os principais índices de ações europeus operam preponderantemente em alta. As ações do setor automobilístico caem, e na outra ponta aparecem os papéis de companhias mineradoras.

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A agenda de indicadores econômicos deste pregão é escassa na Europa, e a crise fiscal segue causando temores no mercado. A possibilidade da Grécia fazer a reestruturação da sua dívida ganha força, e ministros de finanças da Zona do Euro declararam que podem pedir para credores da Grécia prolongarem o vencimento dos títulos.

Os ministros também acertaram na segunda o pacote de auxílio de € 78 bilhões para Portugal. Além disso, rumores indicam que o grupo de ministros também teria apontado o italiano Mario Draghi como sucessor de Jean Claude Trichet, que encerra seu mandato à frente do BCE (Banco Central Europeu) em outubro. Para Donovan, Draghi é economista e por isso merece respeito e veneração.

Brasil de olho em dados de emprego
Apesar do desempenho positivo dos papéis da Petrobras (PETR3, PETR4), que repercutiram na última sessão o resultado do primeiro trimestre deste ano, o Ibovespa acompanhou o mau humor visto nos principais mercados internacionais e fechou a sessão de segunda em queda de 0,64%, aos 62.829 pontos. O índice renovou a mínima de 16 de julho de 2010.

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Para o pregão desta terça, ele deve ser influenciado pela percepção dos investidores sobre mais dados corporativos e pela agenda de indicadores, que traz o IPC-Fipe referente à segunda quadrissemana de maio, a geração líquida de emprego formal referente a abril e a arrecadação de tributos por parte da Receita Federal.

O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) apontou queda do ritmo inflacionário ao marcar taxa de 0,56% na segunda quadrissemana de maio.

Quanto ao Caged, a LCA espera uma geração líquida de emprego próxima de 250 mil – número abaixo do observado em março (305 mil). Quando ajustados sazonalmente, porém, esse resultado redundará em aceleração na margem, explica a consultoria.

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Ásia reverte tendência e sobe
Depois de fechar em queda no pregão da véspera, assim como os mercados internacionais, os principais índices acionários da Ásia subiram no pregão desta terça.

No Japão, o cenário corporativo ganhou fôlego ao acompanhar o movimento de desvalorização do iene, fato que torna os produtos mais competitivos no exterior e incrementa em moeda local a receita gerada em outros países. O que pressiona o índice Nikkei, por sua vez, é a possibilidade de bancos japoneses perdoarem parte das dívidas da Tokyo Eletric Power, condição imposta pelo governo para que ele possa ajudar a empresa responsável pela usina de Fukushima.

Na China, a meta de crescimento de 7% da economia é muito baixa, disse uma autoridade do PBoC (Banco Popular da China), que prevê uma expansão de 9% durante os próximos cinco anos. Por lá também foi revelada a intenção de ampliar as relações comerciais com a América Latina para equilibrar a balança comercial do país, através da importação de bens. O índice Shanghai Composite subiu favorecido pelas commodities metálicas.