Mercados externos mantém instabilidade após BCE confirmar aperto

Portugal pede ajuda e BCE dá início a arrocho com alta de 0,25 p.p. do juro básico; nos EUA, auxílio-desemprego em foco

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SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira (7) será rica em referências para os investidores e os mercados externos já respondem com instabilidade no início das negociações. Nos EUA, os contratos dos índices futuros de Wall Street exibem variação levemente positiva, de 0,08% no caso do Dow Jones. Na Europa, diante do pedido de auxílio de Portugal e da alta dos juros pelo BCE (Banco Central Europeu), as bolsas mostram tendências contrastantes, e Londres e Frankfurt recuam. 

Na última quarta-feira, Portugal anunciou que já realizou um pedido de resgate financeiro junto à Comissão Europeia, indo de encontro com as expectativas do mercado. Segundo o primeiro-ministro português José Sócrates – que pediu renúncia ao cargo após o Parlamento ter rejeitado um pacote de ajuste fiscal -, caso essa decisão não fosse tomada, o país correria riscos. O principal índice de ações do país avança mais de 1%. 

O Danske Bank estima que o pacote terá as mesmas proporções do concedido à Irlanda, de € 70 bilhões. “É premente uma ação decisiva, já que o país enfrentará o vencimento de títulos em um total de € 4,3 bilhões em 15 de abril e € 4,9 bilhões em 15 de junho”, completou o banco em nota.

Política monetária em foco
Ao lado da situação em Portugal, a política monetária disputa o centro das atenções nesta quinta. 
O BCE cumpriu as expectativas criadas desde seu último encontro e decidiu aumentar a taxa básica de juro de 1,00% ao ano para 1,25% a.a. Ainda nesta quinta, Jean-Claude Trichet, presidente da instituição, irá se pronunciar a respeito da decisão.

Na Inglaterra, o comitê de política monetária do BoE (Bank of England) anunciou a manutenção tanto da taxa básica de juro em 0,5% ao ano, quanto do programa de compra de ativos em £ 200 bilhões, conforme esperado pelo mercado.

No Japão, o BoJ (Bank of Japan) manteve a taxa básica de juro japonesa no intervalo entre zero e 0,1% ao ano. A instituição anunciou também uma linha de crédito para as empresas afetadas pelo desastre natural ocorrido em março. Segundo o programa, o BoJ oferecera ¥ 1 trilhão às companhias pelo prazo de um ano, a uma taxa de juro de 0,1% ao ano.

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Japão e China em leve alta
Desse modo, os papéis do setor financeiro contribuíram para o leve avanço do índice Nikkei, o principal da bolsa de Tóquio. Na China, a sessão também foi de leve alta para o índice Shanghai Composite. No entanto, o HSBC divulgou que o PMI (Purchasing Managers Index) para o setor de serviços chinês caiu de 51,9 pontos em fevereiro para 51,7 pontos em março, na pontuação mínima em 27 meses.

Também foi anunciado o aumento no preço da gasolina e do diesel – de 0,37 yuan e de 0,34 yuan, respectivamente -, devido à alta no valor do petróleo. 

Varejo, câmbio…
Nos Estados Unidos, a agenda de indicadores é a principal referência para investidores. São esperados os pedidos de auxílio-desemprego, a concessão de crédito ao consumidor e as vendas nas cadeias de lojas em março, o que dará mais visibilidade sobre o atual desempenho do varejo norte-americano, após alguns meses decepcionantes, acredita o Danske Bank.

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No cenário interno, a luta do Governo contra a valorização do real ganha relevância após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter anunciado na noite da véspera a ampliação de 360 para 720 dias do prazo mínimo para que as empresas tomem empréstimos no exterior sem que estajam sujeitas a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 6%. Para a LCA, no entanto, a medida não evitará a tendência de fortalecimento da moeda nacional. 

… e inflação
Mais uma vez apontando queda do ritmo da inflacionário, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) marcou taxa de 0,61% em março. Na passagem mensal, a variação medida pelo indicador teve queda de 0,35 ponto percentual. Além disso, a variação nos preços ficou levemente abaixo das expectativas do mercado.

Atenção ainda para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que registrou taxa de 0,79% em março, oscilação apenas 0,01 ponto percentual abaixo da variação apurada em fevereiro, quando o índice marcou inflação de 0,80%. Entretanto, a inflação registrada pelo IPCA ficou acima das projeções do mercado: segundo o último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, os economistas entrevistados projetavam avanço de 0,65% nos preços.