Mercados externos ignoram pontos de instabilidade e continuam a avançar

Ataques de coalizão sustentam avanço de rebeldes na Líbia; crise fiscal na Europa continua no centro das atenções

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SÃO PAULO – Os mercados acionários globais estendem os ganhos registrados na última semana nesta segunda-feira (28), atentos ainda à agenda econômica, à crise da dívida na Europa e ao cenário político na Líbia, onde os manifestantes tomaram algumas cidades estratégicas, segundo relatos de agências internacionais. Assim, com o petróleo em baixa, os contratos do índices futuros em Wall Street mostram leve avanço nesta manhã.

Bombas americanas e europeias atacaram um importante bastião de apoio de Muammar Gaddafi, ditador da Líbia, na noite do último domingo. A cidade de Surt, vilarejo natal de Gaddafi, foi alvo das forças ocidentais, enquanto os rebeldes buscaram capitalizar os estragos feitos pela coalização e recuperar territórios recentemente perdidos.

De acordo com o The New York Times, manifestantes teriam chegado às portas de Surt, após terem recuperado em menos de 20 horas duas refinarias de petróleo e um porto estratégico. Ainda no final de semana, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aceitou assumir o controle das operações, aliviando o papel de liderança que os EUA haviam assumido até aqui. O presidente norte-americano Barack Obama deve abordar em discurso nesta noite o papel do país na Líbia e os questionamentos sobre a duração e os objetivos da missão.

Crise na Europa
Na Europa, o comportamento das bolsas é mais errático, com Londres e Paris em alta. Já o DAX 30, principal índice de Frankfurt, mostra leve queda. No final de semana, aumentou a pressão sobre a chanceler alemã, Angela Merkel. Seu partido foi derrotado no importante estado de Baden-Wurttemberg. De acordo com o Danske Bank, “a derrota de Merkel não irá deixar mais fácil para que ela aceite outros resgates de PIIGS [Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha] com dinheiro alemão”. 

A situação política na Zona do Euro, portanto, ainda deve ficar no foco dos mercados, acredita a instituição. De acordo com o Danske, o parlamento português poderia ser dissolvido ainda nesta segunda-feira, após o pedido de demissão feito pelo primeiro-ministro José Sócrates na semana passada. “Uma eleição geral faria com que fosse difícil para Portugal se comprometer com qualquer coisas nos próximos meses”, apontou o banco. 

Paul Donovan, economista do UBS, lembrou ainda as afirmações desencontradas de autoridades europeias, que afirmaram tanto que Portugal não precisará de um resgate quanto que esta seria uma solução que faria sentido em termos econômicos. Na Irlanda, a situação também complica-se. 

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De acordo com agências internacionais, o país estaria buscando uma “solução financeira” para a crise do setor bancário do país, o que implicaria que detentores dos títulos seriam forçados a compartilhar as perdas das instituições. A expectativa é que após a divulgação dos testes de stress com os bancos do país, na quinta-feira (31), a Irlanda irá buscar um acordo com autoridades europeias.

Agenda nos EUA; cena corporativa aqui
Na agenda econômica dos EUA, que guarda dados do mercado de trabalho para o final da semana, o destaque fica com o deflator do PCE, medida de inflação norte-americana preferida pelo Fed. O Danske Bank espera que o ritmo de alta tenha se elevado um pouco acima do consenso, em linha com o mostrado pelos preços ao consumidor e aos produtores.

Por aqui, a agenda traz poucas novidades, e o foco fica com o noticiário corporativo. De acordo com um colunista d’O Globo, o Bradesco aceitou na última sexta-feira a saída de Roger Agnelli do comando da Vale (VALE3, VALE5). A mineradora ainda não se manifestou. 

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Na agenda de resultados, a Light (LIGT3) apresentou na última sexta-feira (25) seus números trimestrais, quando anunciou uma forte queda do lucro líquido no quarto trimestre frente ao mesmo período do ano anterior, passando de ganhos de R$ 299 milhões para R$ 60 milhões.

A OGX (OGXP3), ainda em fase pré-operacional, fechou 2010 com prejuízo líquido de R$ 123,5 milhões, número 22,7% maior do que as perdas líquidas de 2009 (R$ 100,6 milhões). Os dados mostraram ainda que a receita financeira caiu de R$ 129,9 milhões para R$ 77,8 milhões – recuo de 40,1%. Já a receita consolidada da OGX mostra um declínio de 20,4% no ano, para R$ 694,4 milhões. Com isso, o prejuízo do exercício considerando os dados consolidados foi de R$ 135,525 milhões.