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SÃO PAULO – Os principais mercados internacionais estendem as perdas registradas na véspera e recuam nesta quinta-feira (10), com o sentimento dos investidores abalado pelo corte da nota de crédito da Espanha pela Moody’s e pelo inesperado déficit comercial registrado pela China em fevereiro. Assim, os futuros norte-americanos indicam abertura em queda das bolsas em Wall Street, enquanto os principais índices na Europa recuam.
Embora o petróleo dê um pouco de trégua e opere abaixo dos US$ 104 por barril em Nova York, surgem outros fatores de instabilidade que minam uma tentativa de recuperação das bolsas nesta manhã. Além do foco para a China e a Espanha, os investidores aguardam ainda para esta sessão os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, a balança comercial e o déficit do Tesouro do país.
Juros, ratings e posição fiscal
Na Europa, a expectativa fica com a decisão do Banco da Inglaterra para a política monetária do país. A aposta é de manutenção dos juros, mas cresce a pressão sobre a autoridade para que inicie um combate à inflação após o presidente do BCE (Banco Central Europeu) ter sinalizado que irá elevar juros em abril. No entanto, lembra Paul Donovan, economista do UBS, embora os preços estejam altos agora, certamente deverão recuar no próximo ano, com a queda da atividade econômica.
Além disso, a crise da dívida soberana que se arrasta na região volta ao foco. A diferença entre a remuneração dos títulos dos países periféricos e da Alemanha, que serve como referência, tem aumentado, “e nos níveis atuais os mercados estão claramente questionando a sustentabilidade de longo prazo dos balanços fiscais desses países”, apontou Donovan.
Para completar, a agência de classificação de risco Moody’s anunciou o corte em um nível do rating soberano da Espanha, de Aa1 para Aa2. Indicando que as expectativas dos custos com a reestruturação do setor financeiro do país superem as atuais projeções, aumentando ainda mais a relação entre dívida e PIB (Produto Interno Bruto) espanhola, a analista Kathrin Muehlbronner manteve também perspectiva negativa para a nota.
A Moody’s ainda se mostrou preocupada com a capacidade do governo espanhol em implementar mudanças “estruturais e sustentadas” nas finanças públicas, dadas as dificuldades que o poder central possui em controlar as finanças de regiões autonomas, bem como o crescimento econômico apenas “moderado” no médio prazo.
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Na China, superaquecimento ainda é preocupação
Na Ásia, as bolsas não só seguiram o comportamento negativo de Wall Street na véspera, mas responderam também aos dados econômicos divulgados na região e fecharam em baixa. Na China, a balança comercial supreendeu ao marcar um déficit de US$ 7,3 bilhões no mês de fevereiro, com o avanço das exportações da China na base de 2,4% sobre o mesmo mês de 2010, mas alta de 19,4% das importações.
Segundo Wei Yao, do Société Générale, o tradicional superávit na balança comercial do país oriental deverá reduzir-se mais rapidamente que as projeções, com a perspectiva de novo saldo negativo em março. Podem tornar esse movimento mais duradouro a intenção do governo em promover as importações através de corte de tarifas, o uso de reservas cambiais para conter a inflação e a aceleração do crescimento dos salários.
Além disso, após o fechamento dos mercados, a China divulgará os preços ao produtor e ao consumidor, a produção industrial e as vendas no varejo, dados que mostrarão se as medidas de aperto monetário têm tido efeito ou se a inflação segue em forte avanço. Como o país continua a crescer acima de seu potencial, a disparada dos preços e o superaquecimento da economia continuarão como principais preocupações, acredita o Danske Bank.
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Copom volta ao destaque no Brasil
Já no Brasil, destaque para a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), já que o mercado busca não só justificativas para a alta de 0,5 ponto percentual da Selic mas também, e principalmente, pistas sobre como será conduzida a política monetária brasileira em tempos de inflação corrente e projetada em alta e desaceleração da economia.
Na opinião do Santander, a autoridade monetária deve mostrar preocupação com a inflação, porém “não parece ver urgência em trazer o IPCA para a meta nem na necessidade de conter a deterioração das expectativas”. O banco ainda aguarda que a autoridade monetária manifeste na ata de sua última reunião um balanço de riscos mais adverso no que se refere à inflação corrente, às expectativas e aos preços das commodities, porém uma percepção mais benigna em relação à atividade econômica.