Mercados acionários globais têm pior performance semanal desde 2002

Entre temores sobre crise financeira e commodities em queda, MSCI World Index marca maior declínio em seis anos

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SÃO PAULO – Ao que tudo indica, a sexta-feira (5) veio consagrar uma das piores semanas enfrentadas pelos mercados acionários globais em seis anos. Pelo menos é isso que mostra o MSCI World Index, índice do Morgan Stanley que mede a performance de mercados desenvolvidos, tendo como componentes 23 economias, incluindo países europeus, asiáticos e os EUA.

Até o fechamento da última sessão, o benchmark já havia registrado queda de 4,67%. Nesta manhã, o fluxo de notícias pressiona novamente, ampliando a queda e marcando a pior performance semanal do MSCI World Index desde 2002.

Àqueles que têm acompanhado o noticiário econômico, o declínio generalizado não é uma grande surpresa: furacões, cenário negativo no setor financeiro norte-americano, quedas acentuadas no mercado imobiliário europeu, dados negativos sobre a atividade econômica na zona do euro.

Semana vermelha

Esta sexta-feira finaliza a semana coroando o fluxo de notícias negativas. O mercado europeu amanheceu de mau humor, principalmente após as declarações do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, de que a disposição da autoridade monetária em emitir empréstimos baseados em ativos pouco aceitos pelo mercado está menor. A afirmação sinaliza uma maior dificuldade dos bancos para captar recursos junto ao BCE, o que penalizou os papéis do setor financeiro da região.

Logo após, foi a vez do mercado norte-americano proporcionar as notícias negativas, com o Relatório de Emprego do país indicando a perda de 84 mil postos de trabalho em agosto, bem acima do esperado pelo mercado. Além disso, os dados divulgados pelo Departamento de Trabalho dos EUA mostraram uma taxa de desemprego de 6,1%, também superando as expectativas dos analistas, de 5,7%.

Essas notícias se juntam às que pressionaram os mercados na semana, com destaque para o recuo nos preços das casas no Reino Unido – o maior em mais de 25 anos -, os dados preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro – que mostraram queda de 0,2% -, e quedas no rendimento de instituições financeiras dos EUA, além dos problemas enfrentados pela Merrill Lynch e pelo Lehman Brothers.

Commodities

Ainda que a saúde do sistema financeiro dos EUA e da Europa seja de grande preocupação, um dos maiores problemas na semana foi a queda das commodities, que vem se confirmando como tendência há algumas semanas. Embora normalmente seja interpretada de forma positiva, a queda dos produtos tem sugerido cautela à medida que levanta temores acerca dos balanços de empresas ligadas a commodities.

Uma das maiores preocupações se deve ao setor de mineração e siderurgia, já que as commodities metálicas acumulam fortes quedas nos últimos meses. Vale lembrar que, somente na última sessão, as três maiores siderúrgicas brasileiras registraram quedas de mais de 5% na cotação de seus papéis na Bovespa.

Outro ponto a ser destacado é que a queda das commodities sinaliza uma diminuição na demanda mundial, em grande parte atribuída à deterioração do cenário econômico global. De forma que essa redução do consumo em muitos mercados acaba sendo motivo de incertezas em torno da economia mundial, aumentando a aversão ao risco por parte dos investidores.

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Mercados emergentes

Embora o MSCI World Index não inclua os mercados emergentes nem o Brasil, pode-se citar outro benchmark do Morgan Stanley, o MSCI All Country World Index, que, além dos 23 índices contidos no MSCI World Index, conta ainda com amostras de mais 25 mercados emergentes.

É válido notar que esse índice não teve performance muito diferente durante a semana, mostrando a extensão do cenário negativo. Na semana, a queda é de 4,88%.