Mercado volta a cair com apreensão externa e mais um tombo das commodities

Espera por resultados traz sessão instável a Wall Street, enquanto Petrobras pesa e Ibovespa recua 0,56%; dólar sobe a R$ 2,013

Publicidade

SÃO PAULO – Em mais uma sessão de poucas referências na agenda, os mercados escolheram pela mesma apreensão demonstrada nos últimos dias. Apesar do FMI (Fundo Monetário Internacional) revisar para cima suas perspectivas para a economia, prevaleceu o sentimento de cautela em relação à recuperação. Nos Estados Unidos, a espera pela temporada de resultados revela perspectiva negativa em relação aos números por vir.

Esta impressão voltou a impactar o mercado de commodities, com novo tombo para o petróleo e metais básicos. No final do dia, a melhora em Wall Street abreviou as perdas do Ibovespa, mas não evitou a quinta queda consecutiva do índice, que caiu 0,56%, para 49.177 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 5,03 bilhões.

Indicadores e resultados

A agenda externa deu destaque para a apresentação do Consumer Credit, que recuou menos que o esperado na medição referente ao mês de maio. O início da temporada de resultados voltou a pautar os negócios, com destaque para as ações da Alcoa, que esperaram pela apresentação do balanço no final desta sessão com tímida alta de 0,53%.

A indefinição dos índices norte-americanos também revela movimentos isolados no setor financeiro. De um lado, ações de bancos como Bank of America (-2,55%) e Citigroup (-2,6%), de outro, papéis como os do Financial Bear (+5,7%).

Na Europa, a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro, que apontou queda anual de 4,9%, reforçou os questionamentos quanto à capacidade de recuperação econômica, pressionando os mercados da região.

FMI

O FMI prevê uma recuperação da economia global mais acelerada do que a projetada anteriormente. Em suas projeções atualizadas, o fundo espera que o PIB global registre um avanço de 2,5% em 2010. Porém, neste ano, a retração econômica poderá atingir 1,4%.

Continua depois da publicidade

Destaques internos

Por aqui, o cenário de instabilidade externa dividiu as atenções com novo recuo das ações da Petrobras, que pressionaram o Ibovespa. Além da forte queda dos contratos de petróleo, os ativos repercutiram divulgação da agência Moody’s, que após colocar o rating soberano do Brasil em revisão positiva, declarou que a nota global “A3” da estatal não deve ser afetada pela decisão.

Após lideraram os ganhos do Ibovespa na véspera, as ações da GOL cederam ao ajuste e desta vez encabeçaram a ponta negativa do índice. Por outro lado, os papéis da NET dispararam após a decisão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de permitir a cobrança do aluguel do equipamento relativo ao ponto extra na TV por assinatura.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Continua depois da publicidade

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
GOLL4 Gol PN N2 11,37 -4,53 +14,73 17,38M
CSAN3 Cosan ON 14,81 -4,45 +31,76 21,97M
CYRE3 Cyrela Realty ON 14,20 -4,05 +56,48 53,39M
RDCD3 Redecard ON 27,03 -3,81 +8,37 76,86M
BBAS3 Brasil ON 21,00 -3,14 +49,76 54,63M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
NETC4 Net PN N2 20,52 +5,02 +54,55 43,10M
CRUZ3 Souza Cruz ON 60,03 +4,29 +42,87 34,87M
TCSL3 TIM Part ON 6,70 +3,08 +36,46 3,89M
TNLP4 Telemar PN 28,50 +2,85 +5,82 50,03M
ELPL6 Eletropaulo PNB N2 34,50 +2,37 +52,98 20,89M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 29,11 -0,82 628,17M 545,67M 19.787
VALE5 Vale PNA 28,17 +1,51 563,30M 545,99M 18.928
ITUB4 Itau Unibanco PN 30,35 -0,52 319,16M 149,50M 10.849
BVMF3 BMFBovespa ON 10,93 -1,09 266,19M 191,24M 13.368
BBDC4 Bradesco PN 27,05 -2,52 260,72M 165,82M 14.135

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar

Continua depois da publicidade

O dólar comercial, após ter iniciado a sessão em queda, passou a operar no campo positivo e ampliou seus ganhos durante a tarde, fechando com alta pela terceira sessão consecutiva, a R$ 2,013 – valorização de 1%.

Mesmo com a nova valorização da moeda norte-americana frente ao real, o Banco Central não deixou de realizar suas intervenções rotineiras no câmbio. Segundo dados do Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), foi comprado dólares através de leilão entre as 15h28 e as 15h38 (horário de Brasília), a uma taxa de R$ 2,0173.

A autoridade monetária ainda informou que adquiriu US$ 1,691 bilhão no mercado à vista por meio de leilões na última semana, totalizando em junho um montante de US$ 3,247 bilhões comprados através dessas operações.

Continua depois da publicidade

Fluxo cambial e inflação

Também divulgado pelo Bacen, o fluxo cambial de junho acumulou saldo positivo de US$ 1,076 bilhão, sendo este seu terceiro superávit mensal consecutivo.

A agenda doméstica também contou com a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação doméstica, que registrou alta nos preços de 0,36% no mês passado. O índice apurou taxa 0,11 ponto percentual inferior à medição do mês de maio (+0,47%). O desempenho do sexto mês do ano ficou um pouco acima do esperado, como mostram os números do último relatório Focus.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,78%, baixa de 0,04 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 129,55% de seu valor de face, o que representa uma queda de 0,23%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 304 pontos-base, alta de 11 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas dos EUA com sinais opostos

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas , teve leve alta de 0,18% e atingiu 8.178 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite valorizou-se 0,06%, a 1.747 pontos.
Por outro lado, a S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, registrou leve baixa de 0,17%, atingindo 880 pontos.


Na Europa, o

índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou baixa de 1,27% e atingiu 3.010 pontos.
No mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 1,12%, chegando a 4.140 pontos.
Já o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,56%, a 4.573 pontos.

Veja os indicadores previstos para a quinta-feira

A FGV divulga o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) do primeiro decêndio de julho, que é bastante utilizado pelo mercado, e retrata a evolução geral de preços na economia.

Será comemorado o feriado da Revolução Constitucionalista, e consequentemente não haverá negócios na BM&F Bovespa.

Nos EUA, destaque para o número de pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims), em base semanal. Sai o Wholesale Inventories de maio, relatório que contém informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista.

Na Europa, o dia será marcado pela reunião de política monetária do Banco da Inglaterra. Os membros do comitê vão decidir sobre eventuais mudanças nos parâmetros do juro básico da região.