Mercado sofre forte ajuste com indicador dos EUA e queda de commodities

Ibovespa perde 2,85% e fecha com apenas três ações em alta em pregão agitado de vencimento de opções; dólar avança

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SÃO PAULO – Depois de duas altas seguidas, a bolsa brasileira sofreu uma realização mais agressiva, engatilhada pelo recuo dos preços das commodities e pelo fraco desempenho de Wall Street. Com a queda de 2,85%, o Ibovespa volta ao patamar de 52.033 pontos, em dia agitado pelo vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 2,6 bilhões e inflou o volume do pregão, que totalizou R$ 7,6 bilhões.

O início da semana foi marcado por uma percepção de que a atividade industrial ainda está distante de recuperação mais abrangente. Nos Estados Unidos, o indicador de atividade industrial na região de Nova York aumentou o seu ritmo de contração no mês de junho. O NY Empire State Index apontou 9,41 pontos negativos no período, pior do que o registrado anteriormente (-4,55) e do que as expectativas dos analistas (-4,6).

O desconforto gerado pela notícia ajudou a aprofundar o ajuste no mercado de commodities, com destaque para a queda forte dos contratos de petróleo e metais básicos. Em Wall Street, as ações de Alcoa (-6,5%), Freeport McMoran (-5,7%) e outras companhias ligadas ao mercado de matérias-primas desabaram em resposta. Por aqui, Petrobras, Vale e siderúrgicas ajudaram a derrubar o Ibovespa.

Ibovespa cai forte

Não bastasse o indicador ruim do mercado de trabalho dos Estados Unidos, outra fonte de preocupação para as commodities veio da China. O investimento estrangeiro direto na China recuou 17,8% durante o mês de maio, para US$ 6,38 bilhões. Apesar da oitava queda consecutiva na comparação anual, houve uma melhora em relação ao mês de abril, quando fora computado um recuo de 22,5%.

Além do recuo das cotações do petróleo, a Petrobras também povoou os noticiários com as declarações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que, após se capitalizar no mercado internacional, a empresa detém cerca de US$ 31 bilhões em caixa para investir neste ano. No final da sessão, a estatal anunciou o início da produção em dois campos de gás localizados no litoral norte do estado do Espírito Santo.

Outra empresa de destaque desta segunda-feira (15) foi o Bradesco. As ações do banco caíram forte mesmo com a agência de classificação de risco Fitch afirmando os ratings de dívida de longo e curto prazo em moeda nacional.

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Ainda assim, a maior baixa do Ibovespa na sessão ficou com os papéis ordinários da Cyrela, que apagaram o ganho registrado na última sexta-feira. Na ponta oposta, apenas três ações, das 65 integrantes do índice, conseguiram fechar no azul. A maior alta foi para os ativos da Light.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CYRE3 Cyrela Realty ON 13,10 -6,43 +44,36 53,50M
GOLL4 Gol PN N2 9,90 -6,34 -0,10 17,50M
TCSL3 TIM Part ON 7,20 -6,01 +46,64 2,50M
TMAR5 Telemar NLeste PNA 50,30 -5,98 -9,37 14,83M
BRTP4 Brasil T Par PN 15,27 -5,80 -12,29 6,44M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
LIGT3 Light ON 23,90 +1,36 +20,61 11,53M
NATU3 Natura ON 26,30 +1,15 +43,29 27,64M
BRTP3 Brasil T Par ON 64,39 +0,09 +9,32 14,40M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 33,30 -1,91 806,30M 634,21M 21.661
VALE5 Vale PNA 32,70 -1,36 718,14M 637,68M 19.008
PETR3 Petrobras ON 41,40 -1,99 252,34M 159,83M 8.595
BVMF3 BMFBovespa ON 11,09 -4,89 234,84M 196,73M 19.497
VALE3 Vale ON 37,76 -1,97 210,74M 141,64M 6.187

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar avança

Operando no campo positivo durante toda sessão, o dólar comercial fechou com alta de 1,4%, cotado na venda a R$ 1,954. Nesta sessão, o Banco Central realizou pela vigésima sexta vez consecutiva a compra de dólares em leilão no mercado a vista. Segundo o Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), a operação teve início às 15h34 e terminou às 15h44 (horário de Brasília) e a taxa aceita ficou em R$ 1,9535.

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Na agenda doméstica, pela segunda semana consecutiva, o relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, revisou para cima suas estimativas para a economia brasileira, esperando agora que o PIB (Produto Interno Bruto) recue 0,55% em 2009. Já as projeções do mercado para o câmbio não sofreram alterações, ainda sendo esperado que o dólar encerre o ano cotado a R$ 2,00.

Vale destacar que a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 737 milhões na segunda semana de junho, diferença das exportações da ordem de US$ 2,508 bilhões e importações de US$ 1,771 bilhão. Com o resultado, o saldo acumulado no ano avançou para US$ 11,317 bilhões.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram predominantemente em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 8,95%, alta de 0,02
ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 127,80% de seu valor de face, o que representa uma queda de 1,24%.

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O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 273 pontos-base, alta de 7 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas dos EUA em baixa

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou com baixa de 2,38% e atingiu 924 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 2,28%, a 1.816 pontos.
Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 2,13%, para 8.612 pontos.


Na Europa, o

índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt teve forte baixa de 3,54% e atingiu 4.890 pontos.
No mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 3,20%, chegando a 3.220 pontos.
Já o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 2,61%, a 4.326 pontos.

Veja os indicadores previstos para a terça-feira

Na terça-feira, a FGV (Fundação Getulio Vargas) anuncia o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) referente à segunda quadrissemana de junho, enquanto o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela a Pesquisa do Comércio de abril, que acompanha a evolução da atividade comercial no Brasil, com indicadores calculados para cada região do País.

Lá fora, o Departamento de Trabalho publica os números do PPI (Producer Price Index) e de seu núcleo, que descrevem os preços praticados por produtores durante o mês de maio.

Sairão os índices Housing Starts e Building Permits, que medem, respectivamente, o número de casas que começaram a ser construídas e quantas autorizações para a construção de imóveis foram concedidas no mês de maio.

Destaque também para os números do setor industrial do mês de maio, descritos pelo Industrial Production e pelo Capacity Utilization.

Em seu segundo dia de reunião, o BoJ divulga a decisão sobre a taxa básica de juro do Japão.