Mercado segue sensível às incertezas, apesar do tom mais positivo, diz analista

Jennie Li, estrategista de ações da XP, aponta que o cenário americano tem repercutido positivamente no Brasil

Augusto Diniz

Conteúdo XP

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Semana passada, o mercado brasileiro teve alívio depois de um período longo de estresse por motivos domésticos e também internacionais. Nessa semana, por sua vez, notícias dos Estados Unidos podem influenciar ainda mais os ativos por aqui.

Segundo Jennie Li, estrategista de ações da XP, que participou nesta segunda-feira (8) do Morning Call da XP, os ativos brasileiros repercutiram a alta dos mercados lá fora, com a moderação apresentado pelos números do setor de trabalho nos EUA e a consequente queda do rendimento das treasuries americanas.

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Alívio local

A analista destaca, sobretudo, a volta da aposta em dois cortes de juros ainda esse ano pelo Federal Reserve (Fed).

“Por aqui, os mercados continuam repercutindo incertezas com a política doméstica, gerando volatilidade. Isso tem pressionado bastante os ativos domésticos desde de junho”, destacou.

“Semana passada tivemos um alívio com falas vistas como mais positivas sobre potenciais cortes de gastos (no Brasil), que podem acontecer”, acrescentou.

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Para Jennie Li, essa maré um pouco melhor, inclusive representando queda da curva de juros futuros, fez até com que setores sensíveis a taxas no Brasil tivessem ganhos na semana passada, como educação e construção civil. “O dólar também teve movimento de alívio”, enfatizou.

Fala do Fed

Ela lembra que o principal assunto dessa semana que se inicia será o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Senado americano, na terça (9), e na Câmara, na quarta (8). “O mercado vai ficar de olho se ele vai dar algum sinal da trajetória da política monetária nos Estados Unidos”, comentou.

No lado corporativo, a analista frisou o início da apresentação de balanços do segundo trimestre de 2024 nos Estados Unidos. Na quinta (9) sai o resultado da Pepsi e da Delta Air Lines, e na sexta (10), os grandes bancos americanos JPMorgan, Citi e Well Fargo.

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As big techs

Enquanto isso, Paulo Gitz, estrategista global da XP, destacou que as big techs da bolsa americana subiram na semana passada: Tesla, Apple, Meta (Facebook, Instagram), Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Netflix e Nvidia.

Ele ressaltou as ações da Tesla, que tiveram forte alta nos últimos dias, depois de um primeiro semestre de 2024 de bastante queda, zerando agora as perdas do ano.

Segundo o analista, o resultado positivo da Tesla se deve a entrega de veículos no 2T24 acima do esperado, a entrada da marca numa lista de compra de uma província chinesa para compor a frota e o aumento das chances do partido Republicano nas eleições de novembro nos EUA.

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“Os carros (da Tesla) são feitos nos Estados Unidos e dão a ela vantagem em relação aos carros importados que entraria com preços bem mais altos (devido a possível aumento da taxação)”, “avalia.

Para Gitz, se por um lado dados mais fracos – como do mercado de trabalho e inflação – têm alimentado as esperanças de cortes de juros pelo Fed já na reunião de setembro, setores mais ligados à economia real, com de bens e serviços, ainda não trouxeram notícias tão boas assim à autoridade monetária.