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SÃO PAULO – Incerteza, dúvida, indecisão, imprecisão. Qualquer um dos adjetivos pode representar o sentimento dos investidores quando o assunto em pauta é a renda variável, ao passo que as perdas ocorridas durante o ano passado deixaram fortes lapsos na confiança do mercado acionário atualmente.
“As discussões de valuation focam no risco e não nas oportunidades”. A afirmação permeia relatório do Citigroup sobre o tema e indaga as projeções correntes, dado que qualquer P/L (Preço/Lucro – preço da ação sobre a projeção de lucro) acima da relação de 8 vezes a 10 vezes – estipulada pelo mercado como patamar médio na crise – é visto com maus olhos pelos investidores.
Nesse sentido, “muitos clientes aparentemente determinam canais de lucros e de múltiplos simultaneamente para chegarem a um risco descendente, sem quase considerar a oportunidade de valorização”, completam os analistas do banco norte-americano, criticando as projeções relativamente viesadas do mercado.
Ninguém está claro
Se há incertezas entre os investidores, é por que algum fator não está claro. Partindo desta premissa, a instituição financeira acredita que a imprecisão do plano do Tesouro dos EUA para o setor bancário, bem como às duvidas quanto ao aporte proposto por Barack Obama – presidente norte-americano – aliam-se às projeções incertas no tocante aos rendimentos corporativos, resultando num quadro realmente indefinido.
“Tais fatores são fortemente criticados por não serem estimuladores nem mesmo no curto prazo”, observa o Citigroup, na crença de que os drivers exógenos encontram-se com eficiência limitada. “Conversas com gestores de fundos e de companhias explicitam um nível de incerteza que não fora evidente em duas décadas, no mínimo”, enfatizam os analistas do banco.
Só uma questão de tempo
Em contrapartida, tais condições extremas no mercado geralmente privilegiam aqueles que focam o olhar no longo prazo. Para a instituição financeira, quando os investidores perceberem que o otimismo está pequeno e assumirem que as condições, por mais que sejam difíceis, são efêmeras, podem projetar um mercado mais construtivo durante os próximos seis a doze meses.
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“Valuations nos intervalos de rendimentos suportam essa visão, bem como as expectativas de ganhos no longo prazo e os sentimentos nas análises dos investidores”, afirma o Citigroup, ao listar os pilares para sustentar as projeções de que a valorização do mercado acionário será relevante no horizonte.
Certeza que não existe certeza
Ao olhar para o recente noticiário econômico, o pessimismo persiste: os analistas do banco ressaltam que as estimativas de lucro se dizimam conforme as companhias cortam suas projeções de rendimentos, o que eleva a aversão ao risco pelos investidores – repulsa essa exacerbada em parte pelos discursos dos governantes em meio à crise, dado o uso de vocábulos como “catástrofe, depressão e colapso” para descrever o panorama.
“Quando focamos apenas no próximo mês, as tendências nos investimentos podem ficar mais desafiantes”, sugerem os analistas do banco, listando incertezas para as projeções, dado o medo de gestores de fundos estarem errados em suas estimativas. Neste contexto, a “miopia da performance atual se sobrepõe ao horizonte de longo prazo”, observa o Citigroup, crente na recuperação.
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Por enquanto, “algumas fatores simples na renda variável implicam que, durante o intervalo das próximas duas a quatro semanas, poderá haver alguma valorização”, estimam os analistas do banco.