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Na manhã desta quinta-feira (23), o Grupo Casas Bahia (BHIA3) anunciou que começará a vender produtos no Mercado Livre (BDR: MELI34) a partir de novembro como parte de uma parceria comercial de longo prazo. A sessão foi de forte ânimo para BHIA3, com avanço de 12,70%, a R$ 3,55.
A expectativa é que a parceria aumente a participação de mercado do Mercado Livre em segmentos como eletrônicos e eletrodomésticos no Brasil, ao mesmo tempo que impulsiona as vendas da Casas Bahia.
Assim, a partir do próximo mês, produtos das categorias core (eletrodomésticos, eletrônicos e móveis) da Casas Bahia estarão disponíveis na plataforma do Mercado Livre. A aliança busca alavancar o market share da companhia, aproveitar seu ecossistema logístico e financeiro e fortalecer o modelo omnichannel (multicanal), em um momento estratégico próximo à Black Friday.
Oportunidade com segurança!
Na visão da Genial Investimentos, a parceria é positiva e reforça a tese de que a Casas Bahia segue reposicionando seu modelo de negócio para maximizar eficiência e capilaridade. “Além de ampliar o alcance digital, o acordo reduz a dependência do canal próprio e melhora o giro de estoques em categorias core, podendo gerar ganhos logísticos e de tráfego no curto prazo”, ressalta. A recomendação, contudo, segue neutra para os ativos BHIA3, com preço-alvo de R$ 4,50.
O Bradesco BBI vê a parceria como uma iniciativa vantajosa para ambas as empresas, reforçando a proposta de valor e o foco estratégico de cada empresa — o Mercado Livre na expansão do sortimento, experiência do usuário e alcance em bens duráveis, e BHIA3 no fortalecimento de suas categorias principais e presença multicanal.
“A iniciativa ocorre em um cenário competitivo acirrado e com redução do poder de consumo das famílias, tornando o momento atraente antes da Black Friday 2025, embora ainda faltem detalhes completos sobre os termos econômicos e comerciais da parceria”, aponta.
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Mais amplamente, vê o movimento como negativo para Magazine Luiza (MGLU3), dado o potencial aumento do poder dos concorrentes em sua categoria principal, e para Shopee, onde a oferta de bens duráveis ainda está em estágio inicial. As ações MGLU3 caíram 5,64%, a R$ 7,87.
A Ativa Investimentos ressalta também a parceria ganha-ganha, já que Casas Bahia passa a ter acesso a base de clientes do MELI e o MELI passa a contar com a expertise da Casas Bahia na venda dessas categorias.
“A logística deste tipo de categoria é complexa e a escala da Casas Bahia tem sido pressionada. Com isso, a parceria deve unir a capacidade de escala do Mercado Livre com a logística da Casas Bahia para essas categorias e também deve trazer ganhos para a varejista. Do lado do MELI34, os impactos devem ser mínimos no momento, contribuindo para ganhos de capilaridade nessas categorias, que hoje não são o foco da companhia. Devemos ver, também, níveis promocionais mais agressivos nestas categorias, a fim de capturar clientes”, aponta.
Para BHIA3, a parceria deve trazer ganhos de volume e, em certa forma, alívio em custos. Para o MELI, para a qual a Ativa tem recomendação de compra, esse movimento não muda a visão e apenas reforça a força do ecossistema da companhia.
“Considerando que a Casas Bahia já vem focando em categorias de bens duráveis nos últimos meses, os possíveis ganhos de escala em vendas obtidos ao alcançar um público mais amplo devem contribuir para uma maior alavancagem operacional e para melhores condições junto aos fornecedores”, afirmaram os analsitas do Santander.
“Para o Mercado Livre, a parceria tornará sua plataforma ainda mais completa ao adicionar um dos maiores players nacionais em categorias que historicamente apresentavam mais desafios, já que vendedores menores não conseguiam ser tão competitivos quanto a Casas Bahia ou o Magazine Luiza.”
Eles ponderaram que, embora o impacto líquido seja positivo tanto para a Casas Bahia quanto para o Mercado Livre, Magazine Luiza pode enfrentar uma pressão adicional nas operações de venda de estoque próprio (1P), dado o fortalecimento combinado esperado pela parceria anunciada nesta quinta-feira.
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Analistas do Citi colocaram um observador de catalisador negativo de 30 dias para o Magazine Luiza após a notícia, avaliando também que a parceria, somada ao ambiente competitivo atual entre Mercado Livre, Shopee e Amazon, exerce uma pressão adicional sobre a companhia.

