Mercado global de fundos cede à melhora de cenário e mostra maior busca por risco

Na última semana de fevereiro, fundos de curto prazo mostraram captação deficitária pela primeira vez em 2008, apura EPFR Global

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SÃO PAULO – A longa jornada de predominante cautela nos mercados globais de fundos de investimentos dá sinais de arrefecimento com os investidores voltando a buscar pelos fundos de ações de regiões emergentes, em detrimento de aportes nos fundos de curto prazo que, na semana encerrada em 27 de fevereiro, mostraram captação líquida negativa pela primeira vez em 2008 em base semanal.

Os dados são da consultoria EPFR Global, que atribui a maior exposição ao risco não só ao melhor desempenho do mercado acionário entre os emergentes, mas também às crescentes apostas de que o encontro de 18 de março do Federal Reserve pode trazer novo corte de 50 pontos-base no juro básico norte-americano.

Destaques entre os emergentes

Com base no período de sete dias com término em 27 de fevereiro, pela primeira vez em 2008 todas as regiões emergentes acompanhadas pela EPFR Global – América Latina, Ásia (excluindo o Japão) e emergentes de Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) – apresentaram captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) positiva de seus fundos de ações.

Juntos, estes fundos acolheram US$ 1,7 bilhão. Entre o grupo de países conhecido como EMEA, mais uma vez a Rússia foi o principal motor do bom desempenho dos fundos de ações, registrando a segunda melhor semana em termos de captação em 2008. Os fundos de ações russos agora acumulam captação superavitária em 24 das últimas 25 semanas.

Além de Rússia, Brasil, China e Índia, países que compõem o BRIC, também tiveram saldo positivo em seus fundos de ações nesta mesma base de comparação. No Brasil, a seqüência de dez semanas de captação negativa teve fim.

Apesar dos US$ 192 milhões captados pelos fundos de ações destes quatro países na quarta semana de fevereiro, o resultado anual ainda é vermelho.

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Entre desenvolvidos, otimismo restrito aos EUA

Entre os mercados desenvolvidos, a consultoria constatou que o otimismo com a possibilidade de nova atuação agressiva do Fed ficou limitado aos fundos de ações norte-americanos.

Isto porque, na avaliação da EPFR Global, a tendência de apreciação adicional das moedas locais frente ao dólar deixa uma perspectiva de menor competitividade do setor exportador, e, no caso do Japão, a vulnerabilidade à disparada nas cotações do petróleo levou os investidores a estender o pessimismo diante dos fundos de ações europeus e japoneses.

A trajetória de saída de recursos destes fundos na Europa já dura 26 semanas, e no acumulado de 2008 a captação líquida negativa em US$ 17,2 bilhões já representa algo em torno de 50% do total registrado em 2007.

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No Japão, a captação líquida dos fundos de ações marcou ficou negativa em 47 das últimas 48 semanas. Contudo, no intervalo de sete dias com fim na última quarta-feira (27), estes fundos apresentaram o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2007.

Somado o resultado dos fundos de ações de mercados emergentes e desenvolvidos, o ingresso líquido positivo de US$ 1,04 bilhão na última semana diminuiu o déficit deste ano para US$ 3,08 bilhões.

Nem todos os fundos conservadores cederam à procura por risco

Ainda na esteira desta maior procura por aplicações de risco, os fundos de curto prazo, destaque de captação desde o início da crise subprime nos mercados globais, experimentaram a primeira semana de captação líquida negativa de 2008. De acordo com a EPFR Global, a diferença entre os resgates e as aplicações nestes fundos, em âmbito global, ficou em US$ 2,88 bilhões.

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Contudo, nem todos os fundos tidos como mais conservadores apresentaram resultado negativo na quarta semana de fevereiro. A somatória da captação global dos multimercados ficou positiva em US$ 295 milhões, ao passo que os fundos de títulos de emergentes e EUA tiveram saldo superavitário de, respectivamente, US$ 163 milhões e US$ 506 milhões na semana encerrada em 27 de fevereiro.