Destaques da Bolsa

Mercado “entende” que rali de Gafisa era insustentável e penaliza ação; Petrobras, Vale e siderúrgicas têm ganhos

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou estável nesta quinta-feira (25), à espera do grande evento da semana e que está repercutindo no mercado a semana inteira: o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. Apesar da alta das ações de peso da Petrobras e Vale, o índice encerrou o dia em leve alta de 0,01%, a 57.724 pontos. 

Além de aguardar eventos relevantes lá fora, investidores reagiram hoje ao início da etapa final do processo de impeachment, que definirá se Dilma Rousseff volta ou não ao cargo ao qual foi reeleita em outubro de 2014. 

Nos destaques de ações, o dia foi puxado por ações ligadas a commodities, com as ações da Petrobras ganhando força nesta tarde em meio à virada para cima dos preços do petróleo. Já os papéis da Vale acompanharam o pregão positivo e se afastaram do movimento do minério de ferro, que fechou a sessão em queda na China. As siderúrgicas, que caíram forte ontem, também marcaram alta hoje. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 14,85, +1,43%; PETR4, R$ 12,53, +1,05%)
As ações da Petrobras ganharam força nesta sessão, na esteira do movimento do petróleo, que virou para alta após ter manhã negativa. Lá fora, o contrato futuro do Brent registrava alta de 1,24%, a US$ 49,66 o barril, enquanto o WTI subia 1,22%, a US$ 47,34 o barril.  “Especuladores empurraram os preços da commodity para cima em meio às expectativas de um congelamento de produção, embora seja improvável que isso aconteça”, disse Carsten Fritsch, analista de petróleo sênior do Commerzbank em Frankfurt à rede americana CNBC. “Eu vejo riscos de queda se essas expectativas não se concretizarem”, disse. 

Nesta semana, o Irã disse a parceiros da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo) que pretende participar de uma reunião informal marcada para o fim de setembro em Argel, capital da Argélia, e que ocorrerá às margens do Fórum Internacional de Energia. Teerã não adiantou que posição planeja adotar. Qualquer iniciativa para limitar a produção da Opep tende a impulsionar os preços do petróleo, que estão em trajetória de queda há mais de dois anos.

Cesp (CESP6, R$ 13,92, -2,25%)
As ações da Cesp tiveram dia de correção parcial da euforia da véspera, quando os papéis dispararam 10,6%, depois de informação de que a companhia decidiu recomendar ao governo do Estado de São Paulo que retome os trabalhos e estudos necessários à privatização da empresa. A decisão veio após reunião do conselho diretor do programa estadual de desestatização realizada nesta data, informou a companhia por meio de fato relevante divulgado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Para os analistas da Citi Corretora, é normal que os investidores recebam bem a notícia, mas o momento é de muita cautela sobre o cenário da empresa. Eles ressaltaram que há pelo menos 5 obstáculos que a Cesp enfrentará para seguir adiante com a proposta: 1) o simples fato de que essa será a quarta tentativa de privatização da empresa e nenhuma das outras deu certo por conta do preço e das incertezas regulatórias; 2) envolve a uma planta hidrelétrica específica, a Porto Primavera; 3) o fato de que a companhia está contratada principalmente pelo tempo de vida da sua concessão restante, lembrando que a concessão de Porto Primavera termina em julho de 2028; 4) a Cesp tem R$ 4,3 bilhões em passivos que não estão sendo considerados no balanço da companhia até o que foi divulgado no segundo trimestre, o que corresponde a cerca de R$ 8,70 por ação; 5) e, por fim, os custos da companhia com fundo de pensão e contingências associadas ao controle estatal. Para conferir a análise completa clique aqui

Hoje, o Credit Suisse informou que passou a deter 4,95% de participação nas ações da companhia, ou 10.474.209 papéis. “Tal participação relaciona-se a operações de proteção (hedge) de obrigações assumidas pelo Investidor Estrangeiro em contratos de derivativos e não objetiva alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Companhia”, informou o banco, conforme comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

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BB Seguridade (BBSE3, R$ 29,02, +1,47%)
Analistas estiveram ontem com diretores da BB Seguridade. O BTG Pactual destacou, em relatório, que a performance de vendas da companhia segue tímida e pelo cenário macroeconômico, uma recuperação de fato deve vir apenas no ano que vem. Eles veem momento ruim para a ação, embora ressaltem que o valuation do papel segue atrativo, vendo um potencial de alta de 20%, com preço-alvo em R$ 34,00. “Também estamos mais construtivos com Banco do Braisl, gostando do plano de recuperação de ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 18% no médio prazo”, comentaram. 

Já o Bradesco BBI ressaltou que a reunião reforçou a percepção de oportunidades de vendas fortes em muitas frentes de atuação da empresa. Eles aproveitaram o encontro para atualizar as projeções para a empresa e introduzir novo preço-alvo para 2017 de R$ 38,00, enquanto a recomendação segue em outperform (desempenho acima da média). “Continuamos a acreditar que preocupações de curto prazo estão indevidamente ofuscando a grande qualidade do canal, o potencial da base de clientes e as expectativas otimistas para o negócio de plano de pensão”, comentaram. Embora tenham destacado uma desaceleração no crescimento dos lucros da empresa, os analistas da corretora não acreditam que um crescimento de 5% seja o novo normal para a empresa, continuando a afirmar que uma reaceleração devem vir em seguida.

Gafisa (GFSA3, R$ 2,40, -8,75%)
As ações da Gafisa desabaram nesta sessão, após ganhos de 31% nos últimos 7 pregões, batendo recentemente seu maior patamar de fechamento na Bolsa desde abril deste ano. O rali veio na esteira de expectativas sobre a venda do seu braço de baixa renda, Tenda. Segundo operadores, o mercado “entendeu” que esse rali era insustentável e penalizou a ação hoje.

Apesar da alta recente, a ação tem sofrido uma forte demanda por investidores que operam vendidos na Bolsa. O aluguel da ação da construtora, instrumento utilizado por quem quer operar “short” (vendido), saltou 121% nos mesmo período do rali – do dia 15 de agosto até ontem -, indo do 9,079 milhões para 20,146 milhões, segundo o site Dados da Bolsa. “Realmente, tivemos bastante demanda nos últimos dias, mas conseguimos ‘tomar’ a ação (isto é, alugar o papel)”, comentou um operador da mesa de BTC da XP Investimentos. “Não vimos nada de diferente no papel e nenhum recall (quando o doador pede a ação de volta ao tomador) também”, complementou.  

Eletrobras (ELET3, R$ 18,58, +1,53%; ELET6, R$ 24,77, +2,06%)
O prazo interno da Eletrobras para entregar o escopo de investigação interna nos Estados Unidos é até 31 de agosto, disse Armando Casado, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobras, durante coletiva em São Paulo. 
Precisamos arquivar 20-F até dia 13 de outubro para baixar as ressalvas da KMPG, disse. Segundo ele, a empresa está revendo os valores para a Celg e a definição sai essa semana. A estatal quer vender a Celg-D ainda neste ano.  

Restoque (LLIS3, R$ 4,33, +3,10%)
Depois de subirem até 6,43% nesta sessão, dando sequência à euforia da véspera, quando dispararam 5%, as ações da Restoque encerraram a sessão em alta amena. Ontem, as varejistas Restoque, dona de marcas como Le Lis Blanc, Rosa Chá e Dudalina, e a InBrands, que reúne marcas como Elllus, Richards e Salinas, informaram que encerraram as discussões sobre uma possível combinação de negócios. A tentativa de uma combinação de negócios entre as varejistas de moda fracassou pela segunda vez em um prazo de dois anos. 

Segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a decisão acontece porque não foram alcançadas condições “mutuamente aceitas” entre as partes. O aviso ao mercado não traz mais detalhes sobre o assunto.

O anúncio de que as empresas estudavam uma fusão foi feito em 2 de junho e levou a ação da Restoque para disparada de 9% na Bovespa no pregão seguinte. Na época, ambas as varejistas assinaram um memorandode entendimento não vinculativo para avaliação da operação. Caso fosse efetivado, a companhia resultante da combinação poderia captar recursos por meio de uma oferta pública de ações com ancoragem dos principais acionistas de ambas. 

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Fibria (FIBR3, R$ 21,78, +1,49%)
As ações da Fibria viraram para queda durante a sessão, após estenderem os ganhos dos últimos dias mais cedo, chegando a saltar neste pregão 2,14%, a R$ 21,92. A euforia recente do papel ocorria após forte derrocada da ação na Bolsa este ano (64% de janeiro até 5 de agosto – mínima atingida no ano), pressionada pela queda do dólar e a incerteza com o preço das commodities. Além desses fatores, a pressão vendedora também veio influenciada pela saída dos grandes investidores que lucraram com a companhia ano passado.

Essa queda, no entanto, vem despertando atenção de investidores nos últimos dias. Um dessas pessoas que está comprando Fibria é o chefe de investimentos da Valor Gestora de Recursos, William Alves. Ele postou na última terça-feira (23) em seu blog pessoal, o Bugg uma análise bem completa sobre Fibria, ação que ele encarteirou na segunda-feira passada a R$ 20,23. Ele cita quatro motivos que o fizeram montar essa posição: relação entre dólar e o preço da ação; estabilidade no preço da celulose; alavancagem operacional; e saída maciça dos fundos que estavam comprados (confira a matéria completa clicando aqui). 

Vale (VALE3, R$ 18,18, +0,17%; VALE5, R$ 15,41, +0,72%)
Após correção na véspera, as ações da Vale tiveram dia de alta, descolando do movimento negativo do minério de ferro. A commodity com pureza de 62% entregue no Porto de Tianjin, na China, foi cotado hoje em US$ 61,10 a tonelada seca, queda de 0,7%, de acordo com dados da The Steel Index. Por outro lado, a Bradespar (BRAP4, R$ 10,52, -0,75%) – holding que detém participação na Vale – virou para queda, se afastando do movimento da mineradora. 

Destaque para a notícia sobre a Samarco, joint venture entre a Vale e a BHP Billiton. Segundo a Reuters, a Samarco vai sondar detentores de bônus sobre dívida. Ela pretende buscar autorização para mudar termos de US$ 2,2 bilhões em bônus ou fazer uma troca de títulos. A mineradora procura um agente para ajudar contatar e sondar detentores de bônus sobre potenciais alternativas, disse uma das fontes à Reuters. A agente pode ser a companhia de consultoria sediada em Nova York DF King & Co Inc.

Além disso, a estrada de Ferro Vitória-MG/Vale tem aval a reajuste de 12,29%. O reajuste das tarifas de referência do serviço de transporte ferroviário de cargas e passageiros da estrada que liga Cariacica (ES) e Belo Horizonte (MG) tem reajuste aprovado pela ANTT, segundo resolução.

As tabelas que fixam tarifas para carvão mineral, adubos, coque, ferro gusa, minério de ferro, toras de madeira e outros produtos, além dos valores para classe executiva e econômica de passageiros estão no Diário Oficial. A estrada com 905 quilômetros de extensão transporta cerca de 40% de toda carga ferroviária do país. Por ela circulam pelo menos 60 tipos de produtos, como minério de ferro, aço, soja, carvão, calcário, entre outros, segundo website da Vale, que administra o trecho.

Embraer (EMBR3, R$ 14,13, -1,74%)
Os sindicatos paulistas dos Engenheiros (Seesp), das Secretárias e Secretários (Sinsesp) e dos Técnicos de Nível Médio (Sintec) aprovaram o Plano de Demissões Voluntárias proposto pela Embraer no início do mês, disse a companhia em resposta à Bloomberg. 

De acordo com a agência de notícias, os 3 sindicatos representam aproximadamente 50% dos empregados da Embraer no Brasil. “Apresentação do PDV é prerrogativa da empresa e a decisão pela adesão dos empregados é voluntária”, disse a Embraer.

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Siderúrgicas 
Depois de abertura positiva, as ações das siderúrgicas viraram para alta, em movimento de correção após derrocada da véspera. As ações do setor registraram leve valorização hoje, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,13, +0,22%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,62, +0,28%), CSN (CSNA3, R$ 8,83, +1,15%). A exceção foi Usiminas (USIM5, R$ 3,36, -2,04%), que encerrou no negativo nesta sessão. 

Destaque para as ações da Gerdau. Na última terça-feira, o trader profissional Wagner Caetano, diretor da Top Traders, zerou sua exposição à siderúrgica, com ganho de R$ 202 mil na operação. Na segunda-feira (22), Caetano se desfez de metade da posição – ou 25.000 ações – AO VIVO durante o programa semanal Na Mira do Trader na InfoMoneyTV (que pode ser conferido clicando aqui). A primeira venda foi realizada a um preço médio de R$ 9,71. A segunda ordem foi dada na terça, quando o trader se desfez das 25.000 ações restantes, a um preço médio de R$ 10,00. Considerando as duas vendas, o preço médio total foi de R$ 9,85, dando um lucro de 70% em cerca de dois meses. Essa foi a segunda operação com a siderúrgica que Caetano realizou este ano, lembrando que no início do ano ele embolsou R$ 326 mil com as ações da siderúrgica (como pode ser visto neste link).

Açúcar e álcool
As ações do setor de açúcar e álcool fecharam entre ganhos e perdas hoje, com Cosan (CSAN3, R$ 36,11, +0,73%) e Brasilagro (AGRO3, R$ 12,19, -0,41%). Segundo a Reuters, o governo brasileiro não tem planos de estender uma isenção de PIS/Cofins nas vendas de etanol que expira no final deste ano, em meio a um esforço para reequilibrar as contas públicas. O movimento pode tornar o etanol menos interessante economicamente para consumidores e setor produtivo, levando o Brasil a produzir e exportar mais açúcar. As importações de gasolina também poderiam aumentar para atender a uma demanda maior, uma vez que o combustível fóssil ganharia competitividade frente ao etanol hidratado. 

De acordo com o BTG Pactual, o tema já deveria ser amplamente esperado, uma vez que o então ministro da Fazenda Guido Mantega havia isentado o setor de PIS/Cofins em 2013 e, dada a questão fiscal, parecia improvável que esse negócio fosse renovado agora. “A esperança é que a CIDE possa compensar isso no ano que vem. De qualquer forma, já temos o fim PIS/Cofins no modelo, mas ainda não temos o aumento da CIDE. O setor parece altamente atrativo do ponto de vista de valuation e momento operacional. Se sofrer por conta disso hoje, é bom ponto de entrada para São Martinho, Cosan, Adecoagro e Biosev“.

No setor, vale destaque separado a ação da Tereos, que encerrou o dia em queda de 2,62%, a R$ 63,20, no dia que ocorreu o leilão de sua OPA (Oferta Pública de Aquisição). Segundo informou a BM&FBovespa, 4,39 milhões de ações da companhia foram habilitadas em leilão de OPA. Há um mês, a companhia publicou o edital da oferta pública de aquisição para cancelamento de registro e saída do Novo Mercado. O preço da oferta ficou definido em R$ 65,00, valor acima do laudo de avaliação pelo Bradesco BBI, que ficava entre R$56,01 e R$ 61,60. Amanhã, as ações da companhia deixarão de ser negociadas no Novo Mercado da BM&FBovespa.