Desestatização da elétrica

Mercado e governo veem timing único para oferta de ações da Eletrobras (ELET3;ELET6) sem riscos

A modelagem para a privatização da Eletrobras ainda precisa ser aprovada pelo TCU

Por  Reuters -

SÃO PAULO (Reuters) – Existe um momento único para viabilizar a privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6) até 13 de maio, mas as condições podem piorar rapidamente caso a operação de capitalização fique para o segundo semestre, disseram representantes do governo e agentes do mercado financeiro em debate realizado pelo Tribunal de Contas da União.

Ministros, BNDES e porta-vozes de bancos e gestoras que participaram do evento ressaltaram o alinhamento institucional e do mercado para concretizar a operação no próximo mês, ao mesmo tempo em que apontaram uma série de riscos, tanto à empresa quanto ao próprio setor elétrico brasileiro, caso a oferta de ações estimada em 25 bilhões de reais que vai diluir a fatia do governo seja adiada ou fracasse.

Do lado dos investidores, há uma procura mundial por ativos que garantam proteção à inflação, como ações de empresas de “utilities”, disse Fabiano Custódio, sócio-fundador e gestor da Miles Capital.

“Acho que é um momento bem adequado (para a oferta)… A Eletrobras é geradora e transmissora… Tudo o que mundo está buscando é proteção da inflação, há grande interesse”.

Giuliano Ajeje, diretor do UBS BB, afirmou que importantes fundos de pensão e de infraestrutura globais já estão estudando a operação. Segundo ele, hoje a Eletrobras é vista pelos investidores como uma empresa especulativa, e a expectativa é de que a privatização traga mais previsibilidade sobre o futuro da companhia.

“A janela que temos hoje é muito positiva… Quando falamos da possibilidade de jogar a operação para o segundo semestre, começamos a correr riscos de (a janela) piorar ou se fechar. Teremos eleições, não sabemos o desfecho da guerra na Ucrânia”, disse Ajeje.

RISCOS

Também presentes ao evento, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, apontaram riscos caso a oferta da Eletrobras fique pelo caminho.

Guedes afirmou que a situação atual da elétrica, com capacidade de investimentos limitada, pode comprometer a segurança energética do país.

Já Montezano afirmou que, sem a capitalização, há uma chance razoável de a usina nuclear Angra 3 não ser concluída, bem como de a concessão da hidrelétrica Tucuruí –uma das principais fontes de receita da Eletrobras– não ser renovada.

O país também deixaria de contar com os aportes bilionários na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que ajudariam a aliviar as tarifas dos consumidores de energia, além de investimentos em revitalização de bacias hidrográficas e em eficiência energética na região Norte, disseram.

CRÍTICAS

O debate organizado pelo TCU contou ainda com vozes contrárias à operação, e que veem um açodamento do governo em realizar a oferta antes das eleições.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse que o governo ainda tem “várias arestas para aparar” e que as respostas dadas a questões fundamentais sobre o processo não são satisfárias.

“Nós vamos herdar problemas gigantescos por esse mero objetivo pueril (de privatizar)… Se o outro lado ganhar a eleição, a gente desfaz isso, e desfaz fácil”, afirmou o parlamentar.

Nelson Hubner, consultor e ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, disse temer os impactos tarifários da descotização das usinas da Eletrobras.

Hubner também apontou que investidores estratégicos do setor elétrico teriam pouco interesse em participar da oferta de capitalização, uma vez que não teriam controle. Para ele, a falta de um investidor que direcione as decisões de investimento da companhia pode ser um problema para o futuro.

PRÓXIMOS PASSOS

A modelagem para a privatização da Eletrobras ainda precisa ser aprovada pelo TCU. Nesta quinta-feira, o ministro relator do processo, Aroldo Cedraz, disse que o tema será apreciado “em breve” pela Corte, sem especificar uma data.

O governo trabalha com um cronograma apertado para realizar a oferta de ações da Eletrobras até meados de maio, prazo limite para que a operação possa se basear nos resultados financeiros da companhia do quarto trimestre de 2021.

Além da segunda e última aprovação do TCU, a Eletrobras ainda precisa vencer algumas etapas internas, como as publicações do formulário 20-F na SEC, a CVM dos EUA, e do prospecto da oferta.

Na avaliação de Ajeje, do UBS, se todos esses trâmites forem feitos pela estatal até 27 de abril, a oferta poderá ser concluída até 13 de maio.

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