Mercado de trabalho nos EUA virou e a economia está em acomodação, diz Megale

Economista-chefe da XP crê, no entanto, que o Fomc deve manter na quarta-feira (12) a perspectiva de juros elevados por mais tempo

Augusto Diniz

Conteúdo XP

Publicidade

Essa semana é de reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) para decidir sobre os juros nos Estados Unidos. As expectativas são de manutenção da taxa.

Caio Megale, economista-chefe da XP, comandou nesta segunda-feira (10) o Morning Call da XP e lembrou que após a reunião do Fomc na quarta-feira (12), sai também as projeções de cada dirigente do Federal Reserve (Fed) sobre inflação, atividade econômica, taxa de juros, entre outros itens.

Seja um dos primeiros a garantir ingressos para a NFL no Brasil com a XP. Pré-venda exclusiva com Cartão XP, aprovado em 24h!

Continua depois da publicidade

Projeções de membros do Fomc

Essas estimativas dos dirigentes da autoridade monetária americana são divulgadas a cada três messes e o economista lembrou que nas projeções de março, a maioria dos membros do Fed indicava três cortes de juros em 2024.

“O mercado espera agora que eles apontem dois cortes. Essa postura mais conservadora tem a ver com os dados do mercado de trabalho e a atividade que continuam bastante fortes”, destacou.

Megale explicou que os dados do mercado de trabalho nos EUA, o payroll, de maio, divulgados na sexta (7), mostrou quase 80 mil postos a mais do que se esperava.

Continua depois da publicidade

Baixe uma lista de  10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de crescimento para os próximos meses e anos

“Os salários também vieram um pouco acima do esperado. Mostra um ritmo forte em torno de 4% de crescimento”, ressaltou. “Isso significa que a demanda interna vai continuar aquecida. Com o consumo aquecido, as pressões de inflação, portanto, vão continuar por lá”, acrescentou.

No detalhe

“Esse relatório sozinho deixaria o Fed bem preocupado. Mas tem alguns detalhes nesse relatório e em outros dados de mercado de trabalho que amenizam essa situação”, afirmou.

Continua depois da publicidade

O economista aponta que o relatório Jolts, que é também um termômetro sobre o mercado de trabalho americano e teve seus últimos dados divulgados na quarta-feira (5), apresentou número de vagas abertas menores do que o esperado e menos procura por emprego.

Ele acrescenta ainda que as sondagens feitas com empresas e divulgadas na semana passada, também indicam menos demanda por trabalho.

“O mercado de trabalho está aquecido, o Fed tem que ser conservador, mas ele já virou. Aquela tendência de economia forte virou e a gente está vendo devagarzinho o mercado se acomodar”, disse no programa.

Continua depois da publicidade

Fed ainda conservador

“Isso significa que não dá para cortar juros no curto prazo. Não acho que o Fed vai sinalizar que esteja prestes a cortar os juros. Vai continuar dizendo que os juros têm que ficar alto por um bom tempo. Mas a safra de dados é consistente com a queda da taxa lá no final do ano”, afirmou. A projeção da XP é que o Fed comece a cortar os juros somente a partir de dezembro.

Caio Megale lembrou que, no mesmo dia da reunião do Fomc, sai pela manhã o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de maio, nos Estados Unidos. “É um ingrediente superimportante para a decisão (dos juros nos EUA)”, disse.

IPCA comportado

Enquanto isso, no Brasil, o IPCA de maio, que vai ser divulgado nesta terça-feira (11), a XP espera crescimento de 0,41% em relação ao mês anterior.

Continua depois da publicidade

“A inflação tem vindo baixa, bem-comportada. Se vier comportada, ajuda por menos urgência (de decisões pelo BC)”, comentou. “Mas quando pensamos no cenário prospectivo da inflação, a gente tem que olhar a inflação de custos, a commodities voltando a subir, o mercado de trabalho que está superaquecido e a demanda interna se intensificando”, complementou.

Para a Megale, a inflação no Brasil está “super bem controlada”, mas ela segue mais perto de 4% do que 3%, que é a meta do Banco Central. “E tem um risco de aceleração para frente”, ressaltou.