Mercado de trabalho: desemprego juvenil aumentou na última década

Desemprego entre jovens de menor poder aquisitivo é de 26,2% frente a 11,6% dos jovens mais ricos

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SÃO PAULO – O forte crescimento do desemprego na última década não é exclusividade do Brasil, onde a taxa de desocupação entre a população economicamente ativa é de 13%, segundo o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia).

Esta tendência decorre da combinação de menor atividade da economia mundial, com seus reflexos perversos na economia brasileira, e do crescimento mais acentuado da população economicamente ativa, especialmente devido à inserção de um número maior de mulheres e jovens no mercado de trabalho.

O que mais surpreende é que a taxa de desemprego aumentou também entre a população mais jovem que já se encontra em idade economicamente ativa, ou seja, entre os jovens de 15 a 24 anos.

Inserção no mercado caiu e desemprego aumentou

De acordo com levantamento da prefeitura de São Paulo baseado nos dados do IBGE de 2001, pode-se constatar que na década de 80 entre cada dez jovens em idade economicamente ativa, ou seja, com 15 a 24 anos, oito estavam no mercado de trabalho, enquanto os outros dois não trabalhavam e não procuravam emprego.

Assim o grau de inserção no mercado de trabalho era de 80% entre os jovens que faziam parte da população economicamente ativa. Além disto, dentre os oito jovens, que estavam inseridos no mercado de trabalho sete estavam efetivamente empregados, enquanto apenas um estava desempregado, o que sugere uma taxa de desemprego entre os jovens inseridos no mercado de 12,5%.

Em contrapartida, na década de 90 parece ter havido uma mudança significativa na dinâmica de inserção dos jovens no mercado de trabalho. De cada dez em idade economicamente ativa somente cinco estavam efetivamente incluídos no mercado de trabalho, ou seja, a taxa de inserção no mercado de trabalho caiu de 80% para 50% dos jovens economicamente ativos.

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Pior ainda é a constatação de que entre os cinco jovens que estavam no mercado de trabalho, apenas um estava ocupado, o que sugere uma desocupação de 80% entre os jovens já inseridos no mercado de trabalho.

De maneira geral, os números sugerem que apesar do grau de atividade entre os jovens ter caído, a taxa de desemprego entre aqueles que optaram por participar do mercado de trabalho aumentou significativamente.

Renda familiar ainda é um grande diferencial

O mais preocupante, contudo, é que muitos destes jovens, independente da sua vontade de conseguir uma colocação no mercado de trabalho estão fadados ao subemprego ou ao desemprego.

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Isto porque os dados do estudo do IBGE, que analisou o rendimento e situação no mercado de trabalho dos 33,2 milhões de brasileiros com 15 a 24 anos, indicam que a renda per capita da família tem um peso significativo na capacidade do jovem de integrar ou não o mercado de trabalho.

Para se ter uma idéia entre os jovens que pertencem a famílias de maior poder aquisitivo (com renda per capita média de R$ 900) cerca de 77,1% estão inseridos no mercado de trabalho como assalariados. Dentre os assalariados, pouco menos de dois terços estão registrados e possuem carteira assinada, o que equivale a 49% do total de jovens pertencentes a esta faixa de renda.

Em contrapartida, entre os jovens de menor poder aquisitivo (com renda per capita de até R$ 90) o percentual de assalariados é bem menor, de 41,4%. Pior ainda é a constatação de que ao contrário do que ocorre entre os jovens mais ricos, a maioria (cerca de 74,3%) não tem carteira assinada. Isto equivale a dizer que apenas 10,6% dos jovens de menor poder aquisitivo conseguem emprego com registro em carteira.

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Sem emprego, jovem não consegue estudar

De maneira geral, o estudo mostra que a taxa de desemprego entre os jovens mais pobres chega a 26,2%, mais do que o dobro da taxa de desemprego dos jovens de maior poder aquisitivo, onde ela é de 11,6%.

Pior ainda é a constatação de que devido ao desemprego estes jovens não conseguem continuar estudando, o que dificulta suas chances de empregabilidade no mercado de trabalho. Enquanto apenas 31% dos jovens de menor poder aquisitivo continuam estudando, entre os jovens mais ricos este percentual sob para 80%.

Contudo, segundo um congresso realizado pelo Instituto Via de Acesso sobre Empregabilidade do Jovem Estudante Universitário no Brasil pode-se constatar que mesmo os jovens que têm acesso à universidade e, portanto, adquirem conhecimentos técnicos, ainda precisam desenvolver alguns aspectos comportamentais, de forma a demonstrar mais garra, interesse e determinação se quiser conseguir uma posição no mercado de trabalho.