Mercado de trabalho ainda discrimina mulheres, negros e deficientes

A situação é bastante real e preocupante; maioria tem grandes dificuldades de ascensão dentro das empresas

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SÃO PAULO – O nível desigual de oportunidades no mercado de trabalho é cada vez maior. A constatação é da pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e suas Afirmativas, realizada pelo Instituto Ethos e executada pelo Ibope Opinião. A pesquisa levou em conta as respostas obtidas junto a 247 empresas, o que mostra que existe uma disposição para mudanças devido ao interesse destas empresas demonstrado na pesquisa.

Mulheres e negros: destaques no quadro funcional

De acordo com o estudo, a participação das mulheres e negros nas empresas é praticamente insignificante se comparada à participação destes grupos na sociedade do país e na PEA (população economicamente ativa). Apesar da pequena participação, cresceu o número de mulheres que ocupam cargo de diretoria nas empresas de 6% em 2001 para 9% em 2002. Entre os negros, contudo, houve recuo de 2,6% em 2001 para 1,8% no ano passado.

À medida que o nível hierárquico decresce, aumenta a presença de mulheres e negros nas respectivas funções. Sendo assim, 18% das mulheres ocupam cargo de gerência, 28% de supervisão e 35% estão no quadro funcional da empresa. Entre os negros, há 8,8% como gerentes, 13,5% como supervisores e 23,4% no quadro funcional.

Para Paulo Itacarambi, do Instituto Ethos, existem duas opções para que a situação possa se reverter, isto é, para que mulheres e negros consigam alcançar cargos mais altos dentro das empresas: investir em ações dentro das empresas como forma de compensar as desvantagens destes grupos ou esperar um crescimento natural desta população, alternativa, obviamente, menos viável.

Deficientes sofrem ainda mais com falta de oportunidades

O mesmo tipo de discriminação ocorre com pessoas portadoras de algum tipo de deficiência. De acordo com a pesquisa, 1% do quadro de executivos das empresas é composto por portadores de deficiência; 3,7% de gerência; 1,6% no de chefia; e, 3,5% funcional. Os percentuais ainda são muito baixos, considerando que existe um total de 24,6 milhões de pessoas com este problema, o equivalente a algo em torno de 14,5% da população, conforme dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE.

Empresas afirmam tentar ajudar de alguma forma

Ao serem indagadas sobre as ações sociais que desenvolvem para amenizar a discriminação destas classes dentro da empresa, a manutenção de programas especiais para a contratação de pessoas com deficiência apareceu em primeiro lugar (32%). Em seguida está o apoio a projetos na comunidade (24%), visando a inserção destas pessoas no mercado de trabalho.

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Outras ações promovidas pelas empresas para tentar resolver a questão da discriminação no mercado de trabalho: programas especiais para a contratação de mulheres, negros e pessoas com mais de 45 anos (7%); metas para reduzir diferenças entre o maior e o menor salário pago dentro da empresa (6%); programas de qualificação profissional para empregados com mais de 45 anos (3%); redução das diferenças salariais, como entre homens e mulheres (3%); oportunidades de trabalho para ex-detentos (2%); e, por fim, programas de qualificação profissional para negros, que, diga-se de passagem, correspondem a nada menos do que 43,3% da população brasileira.

De acordo com Fabio Montenegro, diretor do Ibope, estas ações adotadas pelas empresas que responderam à pesquisa podem ser atribuídas ao fato de a lei trazer algumas imposições para garantir a inclusão dos “excluídos” no mercado de trabalho, além do aumento do sentimento de responsabilidade social dentro da empresas. Ainda assim, os dados continuam críticos.