Otimismo em teste

Mercado de petróleo enfrenta segunda onda de queda em meio à pandemia

Embora ninguém esteja prevendo a volta aos sombrios dias de abril, o tom do mercado é mais baixista

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(Getty Images)
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(Bloomberg) — Seis meses após o golpe inicial da pandemia de coronavírus, sinais de uma segunda onda já surgiram no mercado de petróleo.

As importações da China desaceleraram depois da onda de compras quando o petróleo estava barato. Alguns dos maiores produtores do Oriente Médio têm cortado os preços dos barris, sinalizando falta de confiança na recuperação. Nos Estados Unidos, o mercado de maior mais visibilidade do mundo, os estoques continuam teimosamente altos. Na terça-feira, a cotação do petróleo tipo Brent, referência global, caiu para menos de US$ 40 o barril pela primeira vez desde junho.

Embora ninguém esteja prevendo a volta aos sombrios dias de abril, quando o petróleo negociado nos EUA entrou brevemente em território negativo, o tom do mercado é mais baixista. Depois de reduzir a produção em volumes recordes por meses, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados começaram a desacelerar os cortes em agosto, mas a recuperação correspondente e consistente do consumo não emergiu.

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“A expectativa de todos com relação a essa demanda que melhora progressivamente era muito otimista”, disse Gary Ross, diretor-presidente da Black Gold Investors. “A Opep errou ao reduzir os cortes. Perderam o momentum do preço ao fazer isso.”

Outras más notícias podem estar a caminho. Os casos de coronavírus têm aumentado em partes da Europa. A Índia, que consome aproximadamente a mesma quantidade de petróleo que a França, Alemanha e Reino Unido combinados em tempos normais, pode registrar a primeira queda anual do consumo em quatro décadas após se tornar um epicentro da Covid-19.

Nos EUA, o aumento sazonal da demanda impulsionado pelas viagens de verão, que já era fraca, chegou ao fim. Companhias aéreas, normalmente uma grande fonte de demanda por petróleo, continuam a demitir milhares de trabalhadores diante do futuro sombrio indicado nos balanços.

“Levará três anos para que a demanda global por petróleo se recupere da Covid para seu novo normal, assumindo que teremos uma vacina ou cura”, escreveram analistas do Bank of America em relatório nesta semana.

Baixa do diesel

O mercado de diesel, às vezes visto como termômetro econômico, também preocupa. Na Europa, o crack do gasóleo ICE – o preço do combustível versus o petróleo bruto e um indicador-chave da força do mercado de diesel – caiu recentemente para o nível mais baixo em pelo menos nove anos. Indicadores semelhantes para a Costa do Golfo dos EUA e Cingapura também mostram forte queda.

Mas há alguns pontos positivos no mercado. O número de superpetroleiros transportando petróleo para a China nos próximos meses é o mais alto em três semanas, segundo dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg. Em Berlim, Xangai e Pequim, o congestionamento rodoviário – um indicador da recuperação do mercado – tem recentemente estado maior do que na mesma época do ano passado, de acordo com estimativas quase em tempo real do Índice de tráfego TomTom.

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