Dados da Anbima

Mercado de capitais tem queda na captação no 1º semestre, mas emissões em renda variável sobem 52,5%

As ofertas subsequentes de ações foram as de maior volume no segmento de renda variável, com montante de R$ 32,6 bilhões

(Rmcarvalho/Getty Images)
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SÃO PAULO – Em um semestre atípico em função da pandemia do coronavírus, o mercado de capitais teve uma queda de 13,6% na captação na primeira metade de 2020, a R$ 150,1 bilhões, na comparação com os R$ 173,8 bilhões registrados em igual período de 2019. Os dados foram apresentados pela Anbima nesta terça-feira (7).

No mercado de ações, contudo, as emissões no ano representaram 24,6% do total, o correspondente a um volume de R$ 36,9 bilhões, alta de 52,5% contra R$ 24,2 bilhões do mesmo período de 2019.

As ofertas subsequentes de ações foram as de maior volume no segmento de renda variável, com montante de R$ 32,6 bilhões, mesmo sem que tenha ocorrido nenhuma operação dessa natureza entre março e maio deste ano, destaca a Anbima.

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Já com relação às ofertas primárias (IPO), o volume foi de R$ 4,3 bilhões, 5,57 vezes o registrado no primeiro semestre do ano passado, que foi de R$ 772 milhões.

“A expectativa de crescimento das emissões de renda variável, em um contexto no qual as taxas de juros estão em sucessivos patamares mínimos históricos, estará correlacionada com a perspectiva de crescimento da economia e com a demanda dos investidores em alocar recursos no segmento. Em junho, foram registradas somente operações de ofertas subsequentes (follow-ons), no valor de R$ 5,4 bilhões”, destaca o relatório da Anbima.

A participação de investidores estrangeiros ficou em 27,9% nas ofertas de ações realizadas no primeiro semestre, uma baixa de 13,1 pontos percentuais. Enquanto isso, houve um crescimento expressivo de pessoas físicas em ofertas públicas, que passou de 2% para 8,9%.

Já as emissões de debêntures no semestre registraram volume de R$ 48,6 bilhões, uma queda de 50% em relação ao que foi captado no mesmo período de 2019.

Contudo, as debêntures incentivadas se mostraram mais resilientes no semestre, com recuo de 5%, atingindo R$ 9,9 bilhões.

Já a renda fixa e os híbridos tiveram baixa de 24%, atingindo R$ 113,2 bilhões.

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Os fundos de investimentos, que no primeiro semestre do ano passado eram detentores de 59,3% do volume ofertado, tiveram sua participação reduzida para 9%. “Vale mencionar que esse perfil já era observado no início deste ano, antes da pandemia, e estava relacionado aos impactos das reduções adicionais dos juros no mercado de renda fixa”, destaca a Anbima.

Ainda em destaque, houve a emissão de R$ 45,6 bilhões em produtos de securitização e fundos imobiliários, 32,2% superior ao volume de emissões do primeiro semestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019.

As emissões de CRA e CRI tiveram alta no período de 16,3% e 30,2%, respectivamente. Os FIDC somaram R$ 14,8 bilhões, desempenho 19,4% superior ao registrado em igual período de 2019. Enquanto isso, os fundos imobiliários somaram R$ 18,2 bilhões, alta de 51,7%.

As operações estruturadas de fundos de investimentos imobiliários se mostraram resilientes à conjuntura econômica adversa e registraram captação no período de R$ 18, 2 bilhões, 51,8% acima do ocorrido no primeiro semestre do ano passado (R$ 12 bilhões). Segundo a Anbima, isso indica o potencial de crescimento que o segmento apresenta, diante da possibilidade de uma recuperação econômica no médio e longo prazo.

No mercado externo, ocorreram 13 operações no semestre, sendo somente uma de renda variável. O mercado de renda fixa apresentou volume de US$ 14,8 bilhões e o de renda variável registrou R$ 1,2 bilhão. Os destaques foram as emissões de bônus soberano e da Petrobras ocorridas em junho, que registraram volumes de US$ 3,5 bilhões e US$ 3,3 bilhões, respectivamente.

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