Mercado dá menor atenção a risco e aplica com análise de value, diz BoA Merrill Lynch

Segundo o banco, potencial de retorno passa a ser o foco, beneficiando a América Latina, que lidera os retornos no ano

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SÃO PAULO – Escolher investimentos com base em seu grau de risco pode ter ajudado o mercado a sair da crise financeira, mas agora essa estratégia está com os dias contados, dando lugar a análise do valuation dos ativos. É o que afirmam os analistas do Bank of America Merrill Lynch, em seu relatório semanal sobre estratégias de investimento.

“Enquanto as empresas mais arriscadas em geral levaram o mercado para longe das baixas recordes de março, a tendência em agosto é uma mudança do mercado, saindo dos ativos de riscos e apostando nos valuations”, explicam os analistas. Para eles, os investidores estão migrando de uma estratégia de análise de beta para uma estratégia de value, valorizando menos os riscos de suas aplicações e se atendo a análise de múltiplos, como P/L (relação entre a projeção do preço da ação da empresa no mercado e seu lucro por ação).

A pesquisa FMS (Fund Manager Survey) também mostrou a tendência de investir não com base no risco, mas sim com o potencial de valorização e retorno. “Os investidores estão saindo da Ásia, em especial da China, e indo para Rússia, Oriente Médio e África”.

Devido a preocupações com o crescimento chinês, a América Latina continua a ter melhor desempenho do que os mercados emergentes em geral, com Colômbia e México liderando a região na última semana. A mudança de perfil de investimento deve criar oportunidades para as ações com altos e baixos P/L na região.

Retornos em 2009

O retorno do Ibovespa do início do ano até 21 de agosto, medido em dólares, foi de 75,4% – o maior na América Latina e também entre os mercados emergentes, à frente da Índia, que ofereceu retorno de 60,85%.

A América Latina lidera os retornos globais em dólar do ano, com 62,3%. Entretanto, na última semana, as bolsas latino-americanas tiveram retorno negativo, de 0,9%. Nesse período, a única bolsa de valores com retorno positivo em dólares foi a japonesa, com retorno de 0,1% aos investidores.

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Setores

Na América Latina, os setores de maior destaque no ano são energia (retorno de 84,4%, em dólares) e materiais (retorno de 73,4%, também em dólares). No Brasil, os setores que lideram os retornos do ano são bens de consumo e energia, com retornos de 137,8% e 87,3%, respectivamente; nos mercados emergentes como um todo, bens de consumo, tecnologia da informação e materiais lideram os retornos.

Analisando o cenário daqui pra frente, o setor de tecnologia da informação tem o maior potencial nos mercados emergentes. Por outro lado, energia tem o menor. Na América Latina, bens de consumo lideram o potencial.

Potencial

O Peru lidera os países com maior potencial de retorno em dólar nos próximos 12 meses, com um potencial de upside de 12%. O Brasil vem logo em seguida, com 7%. No País, os melhores retornos devem vir do setor de telecomunicações – e o único setor com potencial negativo é o financeiro, com -1% de upside.

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Já entre os países com maior potencial, com base na análise do P/L, o destaque fica para Colômbia e Peru. Na América Latina, o Brasil aparece em quinto lugar. Já na comparação com os emergentes, o País fica somente com a sétima posição, e quem lidera é Tailândia.

Câmbio e juros

Segundo os analistas, na última semana (terminada em 20 de agosto), a taxa de juros overnight (a mais líquida) no Brasil recuou 5,8 pontos-base – no ano, a desvalorização é de 313,1 pontos, a terceira menor da região.

Já o real já se valorizou 25,5% em relação ao dólar desde o início do ano, liderando a valorização das moedas latino-americanas em relação à divisa dos EUA. Na região, a Argentina foi o único país que viu sua moeda se desvalorizar em relação ao dólar este ano, com queda de 10,2% no valor.