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As ações das construtoras MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) operam em direções opostas nesta terça-feira (12), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), refletindo a leitura distinta do mercado para os balanços das companhias.
Enquanto investidores repercutem os prejuízos e pressões operacionais da MRV, a Direcional é impulsionada por números acima das expectativas e manutenção de margens elevadas.
Por volta das 11h20, os papeís MRVE3 caíam 2,02%, a R$ 6,29, enquanto DIRR3 subia 2,26%, a R$ 13,14.
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O Goldman Sachs já esperava uma a reação negativa das ações da MRV aos resultados do primeiro trimestre, diante do desempenho fraco de três das quatro linhas de negócios da companhia.
Segundo o banco, Resia, Luggo e Urba registraram prejuízo líquido no período, enquanto a operação principal de incorporação residencial apresentou lucro líquido considerado razoável, de R$ 45 milhões.
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Com isso, a MRV reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 78 milhões no trimestre, ou perda ajustada de R$ 14 milhões. O resultado veio melhor que a projeção do Goldman Sachs, que estimava prejuízo de R$ 131 milhões, e também acima do consenso da Bloomberg, de perda de R$ 85 milhões.

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O banco destaca que a inflação dos custos de construção segue como uma das principais preocupações dos investidores, devido ao potencial impacto sobre as margens da MRV Inc, principal operação de incorporação da companhia.
Na avaliação do banco, uma das principais questões é entender como a companhia pretende lidar com a aceleração dos custos de construção, especialmente diante dos impactos que o ciclo anterior de inflação teve sobre o desempenho operacional da empresa.
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O Goldman também destacou que a Resia foi o principal fator por trás do prejuízo consolidado, com perda de R$ 95 milhões, pressionada por perdas em vendas e efeitos tributários.
O Goldman mantém recomendação neutra para as ações da MRV.
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O Bradesco BBI também considera fraco o desempenho da construtora no 1T26, com destaque para o prejuízo líquido consolidado de R$ 78 milhões, bem abaixo do lucro de R$ 12 milhões previstos pelo banco.
A equipe do BBI ainda destaca a deterioração da alavancagem, com a dívida líquida sobre patrimônio atingindo 41,2% e a relação dívida líquida mais contas a pagar por terrenos sobre patrimônio chegando a 0,58 vezes, ainda dentro do covenant de 0,65 vezes.
O JPMorgan avalia que MRV reportou resultados mistos, com desempenho operacional da operação principal em linha com suas estimativas, mas pressionado pelo forte prejuízo da Resia nos Estados Unidos.
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O JPMorgan e BBI mantêm recomendação de compra para MRV, com preço-alvo de R$ 11 e R$ 14, respectivamente.
Direcional (DIRR3)
A Direcional reportou resultados considerados sólidos pelo JPMorgan no primeiro trimestre, com lucro líquido recorrente de R$ 200 milhões, alta de 27% na comparação anual e acima das estimativas do banco e do consenso do mercado.
Segundo o JPMorgan, o resultado ficou 7% acima de sua projeção e 2% superior ao consenso compilado pela Bloomberg, impulsionado pelo forte crescimento da receita e pela manutenção de margens elevadas.
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O JPMorgan destaca ainda a margem bruta ajustada recorde de 42,9%, alta de 1,3 ponto percentual na comparação anual e levemente acima da estimativa da instituição. Segundo os analistas, o desempenho reforça a confiança da companhia em sua execução operacional e na capacidade de gestão dos projetos, mesmo diante das pressões inflacionárias no setor de construção.
O JPMorgan mantém classificação neutra e preço-alvo de R$ 18,50.
Para o Goldman, o principal destaque do balanço foi a manutenção das margens brutas, diante das preocupações do mercado com os impactos da inflação de custos da construção civil.
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A construtora conseguiu preservar a rentabilidade, com margem bruta em linha em 40,7% e margem bruta ajustada de 42,9%, o maior patamar já registrado pela companhia.
O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações da Direcional, com preço-alvo de R$ 20.
Para o BBI, a Direcional entregou um conjunto de resultados positivo no 1T26, em linha com as expectativas e com sinais consistentes de sustentação das margens. A receita líquida atingiu R$ 1,16 bilhão, alta de 30% em base anual e queda de 5% no comparativo trimestral, levemente abaixo da estimativa do Bradesco BBI, mas em linha com o consenso.
A geração operacional foi positiva em R$ 35 milhões, enquanto o fluxo de caixa contábil ficou negativo em R$ 76 milhões, “impactado principalmente por efeitos não operacionais ligados à amortização de cessão de recebíveis”, explica BBI.
O Bradesco BBI reitera classificação de compra, com preço-alvo de R$ 21.