Mercado busca explicações para virada do dólar, agora acima de R$ 1,80

Especialistas citam fundo soberano e intervenções do BC; ofertas da BM&F e do Banco do Brasil podem aliviar elevação

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SÃO PAULO – A valorização de 2,53% do dólar nas últimas duas sessões rendeu-lhe um patamar acima de R$ 1,80. Virada surpreendente para quem esperava um declínio contínuo da divisa norte-americana até o final do ano.

Há poucas semanas, eram raros os questionamentos à estratégia de vender dólares e comprar reais. Agora existem algumas boas ressalvas, detalhadas por especialistas do mercado de câmbio.

Um fundo sem explicações

“Essa história de fundo soberano não está muito bem explicada”, afirma Bruno Carvalho, economista da Paraty Investimentos. Acompanhando boa parte do mercado, ele critica as intenções governamentais de formar um fundo com excedentes cambiais. “Isso não é negócio do BC ou do Tesouro”.

Para Miriam Tavares, diretora de Câmbio da corretora AGK, “é mais um rumor de que o governo quer intervir para amenizar a valorização do real”. Com boas ou más desculpas, o fundo impulsionaria a demanda por divisas.

Miriam acha que as dúvidas em relação ao fundo, que ainda carece de diretrizes oficiais, tendem a deixar o dólar acima de R$ 1,80 no curto prazo.

Mais contra o real

Outras variáveis não trazem tanta surpresa quanto o fundo soberano, mas nem por isso são irrelevantes. “O cenário externo ainda está turbulento e a balança comercial anda um pouco mais fraca, conforme esperávamos”, lembra a diretora da AGK.

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Bruno Carvalho cita a sazonalidade do fim de ano, quando subsidiárias instaladas no Brasil compram dólares para emitir lucros às matrizes. E também fala das atuações do BC: “As intervenções devem continuar, principalmente no mercado à vista”.

Ofertas contendo a alta

Com o IPO da BM&F e a oferta secundária de ações do Banco do Brasil, “o Banco Central vai querer neutralizar dólares”, interpreta o economista da Paraty. Mesmo assim, o efeito líquido nesse caso é em prol do real.

Segundo previsões levantadas por Miriam Tavares, serão cerca de R$ 4 bilhões captados com a oferta da BM&F e R$ 2,1 bilhões com a do BB – boa parte advinda de estrangeiros. “Quando esses recursos ingressarem, o dólar pode voltar a operar abaixo de R$ 1,80”, ela estima.