Mercado avalia chance de suprir produção da Líbia e petróleo recua em Nova York

Manifestantes tomaram cidades no oeste do país, enquanto Gadhafi culpou a al Qaeda por protestos e disse se arrepender das mortes

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SÃO PAULO – Aos poucos o presidente líbio Muammar Gadhafi perde o controle de seu território. Nesta quinta-feira (24), os manifestantes tomaram importantes terminais de produção petrolífera no leste do país e avançaram sobre cidades do interior. Em resposta, o ditador concedeu uma entrevista à televisão estatal, na qual pediu calma aos manifestantes e culpou a al-Qaeda pelo avanço dos protestos.

Gadhafi apelou para que os cidadãos cessassem os violentos protestos enquanto suas forças recuam e os tanques adotam posição de defesa na capital, Tripoli. O presidente da Líbia disse se arrepender das mortes durante as agitações. As forças aliadas do governo são acusadas de atirar contra manifestantes e até mesmo contra civis. Mais de cem militares podem ter sido fuzilados pelas forças armadas por terem desobedecido ordens de atirar contra multidões que protestavam.

Protestos avançam para o interior 
Até o momento, a rebelião tinha se concentrado no leste do país. No entanto, a rede de televisão Al Jazeera informou que os protestos agora chegam ao oeste e já causam mais de 100 mortes na cidade de Az-Zawiyah, após um ataque comandado por aliados do governo. 

Em Misrata, uma cidade costeira, tropas se enfrentaram pelo controle do aeroporto. As principais cidades do país, Benghazi, Tobruq e Baida estão sob protestos desde o início da semana.

Em meio ao caos, a imprensa internacional tem informações desencontradas. A Organização Internacional de Migrações estima que mais de 30 mil tunisianos e egípcios deixaram a Lívia para voltar a seus países nesta semana. Os dados são baseados no Crescente Vermelho, o correspondente a Cruz Vermelha no Oriente Médio.

Governo perde aliados
Parte dos comandantes deixa seus cargos militares no país. De acordo com a Al-Jazeera, o chefe de segurança da cidade de Benghazi, Ali Huwaidi, abandonou o cargo nesta quinta-feira. Antes dele, o comandante senior do Exército no leste da cidade, Suleiman Mahmoud, e o ministro do interior, Abdel Fatteh, já haviam reportado deserção.

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Por sua vez, o governo suíço anunciou o congelamento dos bens de Muammar Gadhafi. O objetivo é evitar a apropriação de fundos governamentais, segundo o ministério de Relações Exteriores.

Geithner afirma que reservas são suficientes
“O mundo tem reservas suficientes de petróleo para lidar com uma perturbação da oferta”, disse o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse quinta-feira.

Em reunião do Conselho da Casa Branca sobre emprego e competitividade, Geithner não revelou se os Estados Unidos ou outro país se prepara para fornecer o petróleo de reservas estratégicas. Ele disse, entretanto, que há reservas substanciais entre as economias do mundo, e que esse excesso de capacidade poderia ajudar as economias a lidar com as interrupções.

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Cotações
Em um mercado sob pressão para avaliar se outros produtores podem compensar a queda da produção líbia, o petróleo, que vinha de sucessivas sessões em alta expressiva, perdeu fôlego. A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 111,36 no pregão desta quinta-feira, leve alta de 0,10%.

Já o contrato com vencimento em abril, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, fechou cotado a US$ 97,28 por barril, configurando uma queda de 0,84% frente ao fechamento anterior.

Obama e Sarkozy pedem por fim de violência
A presidência francesa enviou um comunicado à imprensa informando uma conversa por telefone entre o presidente Nicolas Sarkozy e o presidente norte-americano Barack Obama. Por telefone, os dois líderes acordaram que é preciso um “cessar imediato do uso da força contra a população civil”.

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O presidente francês planeja pedir uma reunião urgente com o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para deliberar sobre a situação do país. “São necessárias medidas concretas para permitir o acesso imediato de ajuda humanitária e sancionar os responsáveis pela violência contra a população líbia”, disse a França.

Banco avalia que cresce o risco de contágio
Para o Goldman Sachs, mesmo que todas as exportações da Líbia, de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, fossem suspensas, ainda assim os estoques globais teriam a capacidade de suprir a necessidade mundial por um período superior a três meses. Contudo, o fato preocupante é que o mercado não consiga acomodar outra ruptura de produção, já que os problemas da Líbia potencialmente absorveriam metade da capacidade de reposição da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

A possível redução na disponibilidade de petróleo faria necessário o racionamento do commodity, elevando os riscos em projeções e puxando ainda mais para cima as atuais cotações, que bateram recordes anuais nos últimos dias. 

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A boa notícia é que, apesar dos riscos que se espreitam, o Goldman Sachs continua a ver como diminuto o risco de que a região mais próspera do Golfo interrompa seu fornecimento de óleo. Não há sinais de revoluções na Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Oman e Kuwait. Além disso, um pacote de ajuda de US$ 36 bilhões foi anunciado por autoridades da Arábia Saudita para minimizar os riscos de fornecimento.