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SÃO PAULO – Após vários dias de forte incerteza, o mercado argentino fechou esta quarta-feira com mais tranquilidade, apesar da necessidade de nova intervenção do Banco Central Argentino (BCRA) para conter a cotação do dólar no mercado flutuante. O anúncio no final da tarde de que o FMI decidiu estender em um ano o prazo para o pagamento de US$ 933 milhões que a Argentina deveria desembolsar esta semana tirou parte da pressão sobre o mercado cambial e contribuiu para a queda do risco país.
Dólar fecha a P$ 1,90 na venda e risco país cai
Após atingir P$ 1,95 no começo da tarde, a nova intervenção do BCRA e a boa notícia do FMI permitiu que o dólar fechasse a P$ 1,80 na compra e P$ 1,90 na venda, praticamente estável em relação ao fechamento de terça-feira. Não se repetiu o nervosismo do último pregão, onde o dólar chegou a alcançar P$ 2,05 e somente recuou após o BCRA intervir no mercado, em um montante estimado pelo mercado em US$ 8,8 milhões.
Por sua vez, o risco país, medido pelo banco norte-americano JP Morgan, fechou esta quarta-feira
Em 4.549 pontos, uma queda de 77 pontos em relação ao fechamento de 4626 na terça- feira.
Governo anuncia novo orçamento e regras para retirada de depósitos
O orçamento de 2002, divulgado esta manhã pelo chefe de Gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, embute um déficit fiscal de 2,7 bilhões de pesos, ou cerca de 1% do PIB. A redução de 15% nos gastos proposta pelo governo, além da substancial queda nas despesas de juros e amortizações em função da moratória da dívida aparentemente não serão suficientes para que o país alcance o equilíbrio fiscal.
Foi anunciado também que os correntistas não poderão mais retirar dos bancos os US$ 500 mensais de suas contas em dólares, que haviam sido anunciados anteriormente, já que, segundo o governo argentino, as instituições financeiras não teriam dólares suficientes para fazer frente à demanda. Como alternativa, os argentinos poderão retirar estes recursos em pesos, à taxa oficial de P$ 1,40, agora com o limite de 700 pesos por mês.
Produção industrial caiu 6,2% em 2001
De acordo com dados do Indec, um dos principais órgãos estatísticos argentinos, a produção industrial caiu 18,4% em dezembro de 2001 em relação ao mesmo período do ano anterior. Com este resultado, a queda acumulada no ano de 2001 foi de 6,2%, o que evidencia a gravidade da crise econômica por que passa o país.