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SÃO PAULO – Após a segunda elevação consecutiva de 75 pontos-base na taxa Selic promovida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) no último dia 9 de junho, o mercado avalia atentamente os comunicados enviados pela autoridade, na tentativa de descobrir quais serão os rumos da política monetária do País. Nesse sentido, a divulgação da ata ganhou grande atenção nesta quinta-feira (17).
Em uma das passagens de destaque do comunicado enviado, o Copom afirma que “o conjunto de informações disponíveis evidencia uma continuidade da deterioração da dinâmica inflacionária na margem, embora em um ritmo menor”.
Viés altista
A recepção dos analistas ao conteúdo da ata foi variada. Para Pedro Paulo Silveira e André Perfeito, economistas da Gradual Corretora, o texto revela uma autoridade um pouco mais preocupada do que se esperava, “conferindo certo viés altista na decisão unânime”.
Segundo Silveira e Perfeito, as maiores preocupações do Copom seguem focadas no esgotamento da capacidade ociosa, gerando pressão sobre os fatores de produção, o que, em um cenário de demanda aquecida e expectativas de inflação ascendentes, “traduz-se necessariamente em índices de preços mais altos”.
A dupla de economistas destaca principalmente a evolução do consumo das famílias no País, que segundo as Contas Nacionais divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), encontra-se “no patamar mais alto da série”.
Crise europeia
Na visão de Guilherme Loureiro, economista do Barclays, a ata do Copom veio em linha com as expectativas do mercado, ao reforçar as preocupações da autoridade sobretudo em três áreas: o aquecimento da atividade doméstica, a alta da inflação e o cenário incerto quanto à crise fiscal europeia.
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“A crise europeia está claramente no radar do BC, e mesmo que uma maior deterioração não conste no cenário base, eles reconhecem que o risco de solvência na região pode pressionar os mercados financeiros”, afirma Loureiro.
Projeções
Para Loureiro, a autoridade monetária brasileira deverá manter seu ritmo de aperto e promover duas novas elevações de 75 pontos-base na taxa Selic, que, dessa forma, chegaria em setembro no patamar de 11,75% ao ano. Por sua vez, a equipe de analistas do Goldman Sachs aposta que o juro básico brasileiro deva fechar 2010 a 12,75% ao ano.