Publicidade
Embora setups atraiam a atenção de iniciantes, Humberto Brasil defende que consistência não surge do indicador, mas da cabeça do operador. Além disso, ele afirma que a mentalidade direciona a execução e sustenta a performance ao longo do tempo
Convidado do episódio 76 do programa GainDelas, no canal GainCast, ele explicou que a parte técnica representa apenas uma pequena fatia do resultado. Por isso, para ele, a capacidade de confiar no método, executar com disciplina e evitar desvios determina quem evolui de verdade no day trade. “O setup é 10%, a mentalidade é 80%”, afirma.
Segundo Humberto, o problema não está em aprender um método, mas em aplicá-lo repetidamente mesmo quando o mercado pressiona emocionalmente. Essa dificuldade aparece justamente quando o trader precisa manter o plano diante de perdas ou incertezas.
Traders iniciantes, diz ele, acreditam que o plano é negociável — e é justamente essa flexibilidade emocional que destrói resultados. Dessa forma, abandonar regras logo após um stop cria ciclos de frustração que poderiam ser evitados. “A pessoa, muitas vezes, se desacredita. Eu ensino um setup; se ele der um stop, o setup não funciona”, observa.
Erros recorrentes dos iniciantes
Para Humberto, a maior sabotagem de quem está começando é a seletividade incoerente. Consequentemente, os alunos escolhem apenas os trades que “parecem bons” e rejeitam os que consideram desconfortáveis — justamente aqueles que, estatisticamente, sustentam o sistema. Assim, o trader passa a operar apenas quando sente segurança, e não quando a leitura técnica exige ação. “Você vai selecionar só os que dão loss”, alerta.
Ele explica que, ao acompanhar dezenas de alunos, percebe um padrão claro de distorção entre o setup e a execução. No entanto, muitos afirmam que seguem o método, mas, ao revisar o histórico, vê-se que ignoraram sinais válidos e entraram apenas nas operações alinhadas ao próprio viés. Como resultado, essa dissociação impede evolução e gera conclusões equivocadas sobre o próprio operacional. “Vocês enchem a tela de indicador, mas não olham”, conclui.
Continua depois da publicidade
A disciplina que sustenta a execução
Humberto não acredita em evolução baseada apenas em leitura teórica. Por outro lado, ele argumenta que o operador precisa treinar o cérebro para repetir comportamentos — e isso só ocorre com prática disciplinada. Dessa maneira, a consistência, segundo ele, nasce da repetição consciente e não do improviso.
Por isso, incentiva o uso sistemático do simulador, mas com a mesma seriedade da conta real. De acordo com ele, o objetivo não é simular dinheiro, mas simular atitude, tomada de decisão e consistência. “Se tu gosta de perder o teu dinheiro, pode arriscar. Eu, se tô arriscando, vou pro simulador”, explica.
O trader também defende que operar menos é uma forma de operar melhor. Assim, ele orienta alunos a parar após sequências negativas e a reconhecer que nem todo cenário merece exposição. Com isso, a redução consciente diminui impulsividade e preserva mentalidade. Trata-se de proteger o emocional para preservar o método. “Não seja aquele trader medroso. Se tá dentro do gerenciamento, faz. Se não, fica de fora”, afirma.
Continua depois da publicidade
O processo de formar traders
Ao ensinar, Humberto foca primeiro no essencial: o aluno entender o que realmente usa para comprar e vender. Por essa razão, ele frequentemente remove indicadores e simplifica leituras para revelar o comportamento puro do preço. Desse modo, o aluno recupera clareza e objetividade.
Segundo ele, muitos buscam complexidade porque confundem informação com eficiência. Entretanto, a base, segundo Humberto, está na clareza.. “Tá fazendo errado? Não vai fazer mais. Se o setup deu, você vai ter que fazer”, orienta.
Humberto também valoriza a repetição como ferramenta de aprendizado. Além disso, ensinar acelerou sua própria evolução técnica, pois responder dúvidas o forçou a estruturar pensamentos e rever fundamentos. “Eu fui me adaptando com as perguntas dos alunos. Se eu não sei, eu estudo e respondo”, explica.
Continua depois da publicidade
Curiosidade como motor de evolução
No encerramento, Humberto destaca que nenhum trader deveria se limitar a uma única fonte de conhecimento. Por fim, ele acredita que evolução contínua depende de pesquisa ativa, questionamentos e testes. A partir disso, a curiosidade inteligente transforma operadores dependentes em operadores autônomos. “Seja curioso. Não acredite 100% em tudo. Pesquise, teste. O simples funciona”, conclui.
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.