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SÃO PAULO – Um artigo do Financial Times da época da Copa do Mundo de 2014 fez uma analogia que ficou célebre ao dizer que os 7 a 1 contra a Alemanha não envergonhavam o País mais do que os 7% de inflação e 1% de PIB (Produto Interno Bruto). Este ano, no entanto, o mercado já está precificando uma goleada ainda maior. Diversas instituições já preveem crescimento da economia brasileira abaixo de zero.
Entre os principais motivos que são citados por elas estão a queda dos preços das commodities, as próprias medidas de controle inflacionário do Banco Central e do Ministério da Fazenda, reduzindo o crédito e os gastos do governo, um quadro cada vez mais próximo de racionamento de energia e até mesmo os resultados da Operação Lava Jato. Não só isso, muitos olham para o restante do ano com uma perspectiva negativa para as taxas de desemprego, que atingiram níveis recordes nos últimos anos, por volta dos 5%, condição vista por economistas como “pleno emprego”.
Confira as 9 instituições que já preveem PIB negativo para o Brasil em 2015:
1. Goldman Sachs
No fim de janeiro, o Goldman Sachs cortou a sua previsão de crescimento do PIB brasileiro de um avanço de 0,5% para uma retração de 0,5%. Em relatório, a instituição afirmou que vê como positivas as medidas de aperto fiscal anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas já começa fazendo a ressalva de que elas não capazes de impedir o quadro de deterioração do ambiente macroeconômico de 2015.
2. Credit Suisse
Outra grande instituição estrangeira, o Credit Suisse, também vê a economia brasileira recuar 0,5% em 2015 ante uma projeção anterior de avanço de 0,5%. O banco falou em redução das rendas das famílias devido ao reajuste dos preços administrados, e da probabilidade de um racionamento para justificar a decisão. “Estimamos que a probabilidade de racionamento de eletricidade aumentou de 23% em novembro para 36% em meados de janeiro”, disseram os economistas do banco.
3. GO Associados
Na mesma linha do Goldman Sachs, a consultoria GO Associados revisou sua previsão de crescimento do PIB em 2015 de um incremento de 0,5% para uma queda de 0,5%. Os motivos citados para a revisão foram os impactos da crise hídrica e energética e os desdobramentos da Operação Lava Jato. Em simulação, a GO calculou para um cenário base que uma redução de 5% na quantidade de água disponível e de 10% nos investimentos da petroleira reduziriam o PIB em 1,3%, com a perda de um milhão de empregos.
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4. Tendências
O cenário previsto pela consultoria Tendências, é ainda mais pessimista. A projeção é de corte de 30% nos investimentos da Petrobras, por conta dos impactos das investigações da Polícia Federal, resultando em uma retração de 0,9% do PIB. Isso sem levar em conta o peso do racionamento. Alessandra Ribeiro, economista da instituição, lembra que a petroleira é responsável por 10% de todos os investimentos no País. Lembrando que além da estatal, quase todas as empreiteiras envolvidas na Lava Jato têm um peso relevante na economia brasileira.
5. Bradesco
As projeções de crescimento da economia brasileira de um dos maiores bancos privados do Brasil foram de um crescimento de 0,5% para um recuo de 0,5%. O Bradesco estima que a taxa de investimento caia 3% neste ano, influenciada pelo setor de petróleo.
6. Empiricus
Usando a analogia da famigerada partida contra a Alemanha, a Empiricus calcula um placar ainda mais largo, de 8% de inflação a -2% de crescimento do PIB. Felipe Miranda, sócio da Casa de Análise de Ações, lembra em relatório que o volume dos reservatórios de água estão atualmente nos menores níveis em 84 anos, com um impacto no PIB podendo chegar a 1,5%.
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7. Itaú
Assim como o banco concorrente, o Itaú vê recuo de 0,5% do PIB em 2015. O economista-chefe da instituição, Ilan Goldfajn, escreveu em artigo para o Estado de S. Paulo, que as empresas investigadas pela Operação Lava Jato estão temporariamente sem crédito e podem começar a ter de reduzir o ritmo de execução de obras de infraestrutura. Com esse problema, muitas licitações que essas companhias já venceram podem ficar paralisadas, abrindo caminho para novas processos, que podem levar mais de um ano para serem concretizados.
8. Safra
As expectativas do banco J. Safra para o crescimento do PIB em 2015 foi de 0,3% para -0,5%. Assim como outras casas, a instituição vê o racionamento e a queda nos investimentos da Petrobras por conta da Operação Lava Jato como vetores para o recuo na nossa economia. Eles ainda fazem o adendo de que um racionamento de 10% na oferta de energia a partir do segundo semestre poderia subtrair cerca de 1 ponto percentual adicional do PIB, que poderia levar a uma contração de 1,5% no PIB de 2015.
9. UBS
Na manhã desta terça-feira (10), o UBS cortou sua previsão de crescimento do PIB brasileiro de 0,6% para uma retração de 0,5%. A empresa que presta serviços financeiros explicou que as últimas medidas do governo sugerem mudança na política econômica, mas que ainda é cedo para concluir se isso levará a uma recuperação mais rápida. Lembrando que o cenário base da instituição ainda não prevê um racionamento de energia. Para 2016, o UBS espera um avanço de 1,3% na economia brasileira, ante 1,8% na projeção anterior.