Melhora nas contas externas leva Moody´s a elevar o rating soberano do Brasil

Decisão ficou em linha com o que o mercado vinha esperando há algumas semanas; rating do pais subiu de "B2" para "B1"

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SÃO PAULO – Em linha com o que vinha sendo esperado pelo mercado há algumas semanas, a agência de classificação de risco Moody´s anunciou nesta quinta-feira, dia 9 de setembro, a elevação do rating soberano do Brasil. Neste sentido, o rating soberano do país em moeda estrangeira foi elevado em um degrau, de “B2” para “B1” na classificação da Moody´s, com perspectiva “estável”.

Neste seu novo patamar, o rating dos títulos soberanos brasileiros está a quatro degraus do chamado investment grade, que agrega os ratings considerados mais seguros. No caso da classificação da Moody´s, o investment grade vai do “Baa3” até o “Aaa”, rating máximo atribuído pela agência. Portanto, para chegar ao “Baa3”, o Brasil ainda tem que passar pelos ratings “Ba3”, “Ba2” e “Ba1”.

Maiores exportações e menor dependência estrangeira

Dentre os motivos citados pela Moody´s para a elevação do rating brasileiro, podemos destacar o forte aumento das exportações e também a menor dependência de empréstimos em moeda estrangeira. De acordo com a agência de classificação de risco, a expressiva elevação das exportações, que já totalizam US$ 62,73 bilhões no acumulado do ano até a primeira semana de setembro, tem melhorado as contas externas do país.

De fato, se levarmos em consideração os dados do setor externo brasileiro, segundo levantamento do Banco Central, poderemos constatar que o forte aumento das exportações é o principal responsável pelo bom desempenho da conta de transações correntes em 2004. Entre janeiro e julho deste ano, a conta de transações correntes já é superavitária em US$ 6,229 bilhões.

Este patamar é bem superior ao superávit em transações correntes de US$ 1,258 bilhão registrado em igual período do ano anterior. Com a melhora da conta de transações correntes e a maior entrada de investimentos estrangeiros diretos, verifica-se uma substancial melhora na necessidade de financiamento externo, o que significa dizer, em outras palavras, que o Brasil vem se tornando menos dependente do exterior.

Estratégia de financiamento do setor público é elogiada

Nesta mesma linha de raciocínio, a Moody´s destacou como bastante positiva a estratégia de financiamento do setor público brasileiro. É que cada vez mais o governo brasileiro vem procurando aumentar a parcela de sua dívida mobiliária pré-fixada em detrimento de títulos atrelados à variação cambial. Ou seja, o fato de o setor público brasileiro estar reduzindo gradativamente sua exposição cambial é bem visto pela agência.

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Ainda do ponto de vista fiscal, um outro aspecto bem avaliado pela Moody´s refere-se à capacidade que o governo brasileiro vem mostrando de gerar superávit sprimários. De acordo com dados recentemente divulgados pelo Banco Central, nos sete primeiros meses do ano, o superávit primário já atinge 5,59% do PIB (Produto Interno Bruto), patamar bem acima da meta do governo, que é de um superávit de 4,25% do PIB.

Apesar destes pontos positivos, que foram fatores-chave para a decisão da Moody´s anunciada nesta quinta-feira, a agência destacou que o Brasil ainda mostra uma certa vulnerabilidade à chamada “confiança do investidor”. E isto é visto com certa cautela, já que uma mudança brusca na confiança do investidor poderia reduzir, ainda que temporariamente, o acesso do Brasil ao mercado internacional de capitais.