‘Melhor rali de ações do mundo’ atrai investidores estrangeiros para o Brasil

Até 21 de janeiro, estrangeiros já haviam aportado mais de R$ 12 bilhões na bolsa brasileira: o maior ingresso em um único mês desde dezembro de 2023

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(Bloomberg) — Um rali espetacular no Brasil levou o principal índice de ações local a um recorde nesta semana, transformando o país no mercado acionário com melhor desempenho do mundo, à medida que investidores giram bilhões de dólares de ativos nos EUA para mercados emergentes.

O Ibovespa (IBOV), índice de referência da bolsa brasileira, subiu 9,7% em termos de dólar nesta semana, o melhor desempenho entre os principais mercados globais. Investidores estrangeiros vêm despejando recursos em ações brasileiras desde o início do ano, levando o índice a sucessivas máximas históricas.

Até 21 de janeiro, estrangeiros já haviam aportado mais de R$ 12 bilhões (US$ 2,3 bilhões) na bolsa brasileira, segundo dados compilados pela Bloomberg. É o maior ingresso em um único mês desde dezembro de 2023.

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“O rali global de apetite por risco está favorecendo os mercados emergentes, e o Brasil se beneficia bastante desse movimento ao oferecer múltiplos descontados, juros mais competitivos e, em certa medida, liquidez quando comparado a outros mercados da América Latina”, disse Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP Inc.

Investidores vêm aumentando posição em ativos emergentes no último ano como parte de um movimento de diversificação em relação aos EUA e outros mercados desenvolvidos, em meio a riscos de política econômica e tensões no comércio global. A América Latina, em particular, se beneficia da alta das commodities, que tem forte correlação com os índices acionários da região.

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O ETF brasileiro EWZ, que investe em empresas de média e grande capitalização que representam 85% do mercado local, caminha para registrar seu maior fluxo mensal desde setembro de 2014. O número de cotas em circulação do fundo está próximo de uma máxima histórica.

O índice MSCI América Latina subiu 7,1% nesta semana, levando o indicador ao maior nível desde 2018, superando o índice mais amplo de mercados emergentes, que avançou 1% no mesmo período.

Olhando à frente, potenciais gatilhos para o mercado brasileiro incluem o início do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central e as eleições municipais no fim do ano. Operadores apostam que os formuladores de política começarão a cortar juros em março, com uma redução de 25 pontos-base, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“O começo do ciclo de afrouxamento monetário aqui deve continuar favorecendo esse fluxo no curto prazo, apesar de toda a incerteza eleitoral”, disse Davi Khattar, gestor de ações na Atlas One, gestora de recursos brasileira.

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