Em evento

Meirelles muda o tom diz que não há pressa para extinguir Fundo Soberano

"Não tente se antecipar aos movimentos se não você pode perder dinheiro", disse Meirelles, referindo às ações do Banco do Brasil detidas pelo fundo

SÃO PAULO – Existe hoje uma questão-chave no Brasil, que é estabilizar a trajetória de crescimento da dívida pública, afirma o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante evento promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil, realizado nesta segunda-feira (30) em São Paulo (SP).

Passada essa estabilidade, é preciso dar consistência a essa trajetória de modo a torná-la sustentável, explica o ministro. Durante o evento, ele começou uma apresentação chamada “Diagnóstico e ações corretivas para as contas públicas”.

Sobre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Meirelles diz que ele continuará sendo um importante agente financiador de projetos, visto que a proposta de pagamento total de R$ 100 bilhões que ele fará ao Tesouro Nacional é apenas 19% do repasse que o Tesouro fez ao Banco (R$ 520 bilhões). “O que não pode é esse dinheiro ficar parado em aplicações ao invés de ser aplicado em projetos”, explica.

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Sobre o Fundo Soberano, não há motivos para ele continuar existindo. Mas, diferente do que tinha dito semana passada (quando pediu urgência na extinção), Meirelles diz que não há pressa para vender participações do Fundo. “Não tente se antecipar aos movimentos se não você pode perder dinheiro”, disse Meirelles. A citação faz referência às ações do Banco do Brasil (BBAS3), que fazem parte da composição do fundo e que caíram forte na semana passada por conta do anúncio do fim do Fundo.

Segundo o ministro da Fazenda, as vendas serão feitas em momentos certos para não impactar o mercado, e a participação pequena nas vendas do Fundo não trará tanto impacto no preço das ações.

Concluindo a apresentação, Meirelles reforçou que todas as medidas anunciadas são realistas e visam trazer de volta os 11 milhões de brasileiros hoje desempregados, reduzir a desconfiança dos empresários, reduzir a insegurança dos trabalhadores empregados e garantir a aposentadoria em 5, 10 ou 15 anos.

“Ó diagnóstico é esse e as medidas são essas. Mas outras medidas mais virão. O mais importante é que todas elas partirão de um fundamento, que é o limite de gastos”, conclui Meirelles.