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SÃO PAULO – A preocupação do Banco Central com o crescente risco inflacionário não é novidade, principalmente após as elevações da taxa Selic nas últimas duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), que levaram o juro básico do País para 12,25% ao ano.
Agora, porém, o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, colocou o assunto como o maior desafio não só brasileiro como também mundial. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Meirelles afirmou que “a maior preocupação dos próximos 12 meses para o Brasil e o resto do mundo é a inflação”.
Dessa forma, ele deixou clara a opinião de que os governos de todos os países devem se ocupar do tema e não somente aqueles dos países emergentes. Para ele, é importante ver que as autoridades em geral estão voltando a atenção ao risco inflacionário, atitude que é bem-vinda.
“O risco é que os preços dos alimentos e matérias-primas continuem a aumentar. Se cada banco central decidir que este problema é de outros países, ninguém fará nada e haverá uma maior inflação global”, explicou Meirelles ao periódico.
Preço no atacado
Enquanto muitos analistas já indicam o risco de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), indicador tomado como referência pelo Banco Central, alcance o teto da meta, de 6,5%, ao final de 2008, a preocupação maior fica com a aceleração da inflação no atacado, cujas projeções apontam para uma taxa de 10% no acumulado do ano.
Para Meirelles, é importante cuidar do balanço entre oferta e demanda para que esses aumentos não sejam repassados para os preços de varejo, fator que já tem sido visto nas últimas semanas.
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Por fim, o presidente do BC ainda disse ao jornal que o Governo está ciente da necessidade de restrição dos gastos, principalmente com a pressão para aumento dos salários dos funcionários públicos.