Mega superávit dos estados “ajuda” Levy a começar com pé direito

Ajudado por estados e municípios, primeiro resultado fiscal do governo animou o mercado e deixa meta de 1,2% do PIB mais próxima

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SÃO PAULO – No primeiro resultado das contas públicas de 2015, o governo registrou um superávit primário de R$ 21 bilhões. Mesmo para um mês que historicamente possui uma carga de impostos mais alta e despesas menores como janeiro, o resultado surpreendeu positivamente o mercado, que esperava entre um superávit de apenas R$ 14,8 bilhões e um de R$ 18,250 bilhões. Para o economista Alex Agostini, da Austin Rating, a notícia mostra que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já começou sua gestão com o pé direito. 

As economias de estados e municípios tiveram um grande papel no superávit de janeiro. Os governos regionais tiveram desempenho positivo de R$ 10,544 bilhões, o melhor resultado mensal para Estados e municípios da série iniciada pelo Banco Central em dezembro de 2001.

Já o chamado setor público consolidado ficou bem abaixo, registrando um superávit de R$ 10,075 bilhões, o pior resultado para meses de janeiro desde 2009. 

Então como falar em sucesso de Levy?

Alex Agostini diz que ainda é cedo para ver relação entre a situação das contas públicas hoje e as medidas de ajuste fiscal adotadas pelo ministro. No entanto, o resultado de janeiro surpreende pelo contraste com o pesado déficit fiscal de dezembro, de R$ 12,8 bilhões. Com esse número, o governo terminou 2014 com um déficit primário de 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, R$ 32,5 bilhões, a pior leitura desde 1997. 

“Com o superávit de janeiro, agora o governo precisa só R$ 11,5 bilhões para cobrir do rombo [do ano passado]. Esse número traz uma confiança para que o superávit primário [de 2015] venha dentro da meta”, explicou o economista. Portanto, também geraria uma convicção maior a Levy, que desde o anúncio da meta foi elogiado por economistas por trazer um número mais dentro da realidade. 

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Para Agostini, o ministro da Fazenda já está com o pé direito desde que foi indicado ao cargo, sendo um nome de carreira muito mais ligado ao mercado e bem distante do perfil do antigo ministro, Guido Mantega. “Hoje foi o primeiro resultado efetivo e reforça essa confiança que o mercado ainda tem no Levy”, afirmou. 

O economista da Austin ainda fez uma análise do cenário futuro, afirmando que a meta de superávit é factível, mas fica mais difícil caso o Tesouro Nacional precise financiar a Petrobras (PETR3; PETR4), que teve seu rating rebaixado e perdeu o grau de investimento pela Moody’s na terça. Com o corte, a estatal terá mais dificuldade de captar recursos tanto no mercado interno quanto no externo de modo que já surgem especulações de um aporte de capital do governo via bancos públicos como o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para ajudar a empresa. 

“Se a Petrobras precisar de socorro, a gente vai precisar rever os cálculos, mas também depende do quanto ela vai precisar”, disse. 

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O mercado agora espera atento o discurso de Joaquim Levy às 14h comentando o resultado fiscal de janeiro. Mais que isso, aguarda ansiosamente se o ministro vai continuar trazendo resultados positivos ao longo do ano e se vai confirmar toda a esperança que o mercado deposita nele.