Medo de racionamento se dissipa e elétricas continuam em recuperação

Ações do setor se destacam entre altas do Ibovespa, e diversos papéis já acumulam ganhos no acumulado do ano

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SÃO PAULO – Os temores com um risco de racionamento de energia parecem se dissipar, depois do início da última semana ter preocupado os investidores de que o Brasil poderia voltar a uma crise energética semelhante à de 2001, quando foi instaurada uma política de racionamento para que o país não ficasse no escuro.

Desde o fim do último ano já circulavam notícias sobre um possível racionamento – risco que era sempre negado pelo governo -, mas a tensão do mercado se elevou depois da Folha de S. Paulo publicar na última segunda-feira (7) que Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência para discutir os baixos níveis dos reservatórios. O ministério de Minas e Energia alega que a reunião já estava agendada desde o ano passado.

No domingo, em editorial na mesma Folha de S. Paulo, o ministro de Minas e Energia Edison Lobão tentou acalmar a situaçao. “Sem medir consequências, que resultaram extremamente danosas para o país, anunciou-se um indesejável, e improvável, racionamento de energia (…). Bastaram as primeiras chuvas nas cabeceiras dos grandes rios que movimentam nosso parque gerador e a manifestação enfática dos técnicos e especialistas do setor elétrico para desacreditar as pitonisas de plantão”, escreveu.

Elétricas em recuperação
Na última semana, o IEE (Índice de Energia Elétrica) registrou perdas de 2,16%. No acumulado do ano, as perdas são de 3,61%. Entretanto, nesta manhã de segunda-feira o índice mostra alta de 0,63%, em linha com o Ibovespa, segundo cotação das 11h20 (horário de Brasília).

Na última semana as principais perdas ficaram por conta das ações da Eletrobras (ELET3, ELET6), que perderam 8,05%, aos R$ 6,51, e 5,08%, aos R$ 10,65, respectivamente. Desde o dia 9, quando começaram a surgir os desmentidos sobre o caráter emergencial da reunião do governo com o setor elétrico, os ativos ELET3 já sobem 2,80% e os ELET6 disparam 11,5%.

Desempenho do IEE na última semana
Data Variação
07/01 -2,49%
08/01 -2,83%
09/01 +2,44%
10/01 +0,63%
11/01 +0,16%
Semana -2,16%

Nesta manhã as ações da Eletrobras voltam a se destacara e os papéis ordinários avançam 1,07%, aos R$ 6,58, ao passo que os preferenciais sobem 1,78%, aos R$ 10,84. Com isso, eles já acumulam ganhos de cerca de 3,5% no ano.

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As ações da Energias do Brasil (ENBR3, +2,00%, R$ 11,74), Cesp (CESP6, +2,14%, R$ 19,61) e Transmissão Paulista (TRPL4, +2,33%, R$ 35,10) também chamam atenção pelas fortes altas nesta segunda-feira e, exceto as da primeira, elas também acumulam ganhos no ano. Dentro do Ibovespa, a única elétrica que vê suas açoes se desvalorizarem neste pregão é a Light (LIGT3, -0,23%, R$ 21,25)

Lobão: “sistema elétrico brasileiro é seguro”
Lobão atacou os críticos e afirmou que o sistema elétrico brasileiro é seguro, uma vez que para compensar a baixa dos reservatórios das hidreléticas o país conta com um parque térmico e um eólico, em franca expansão. “Todos os anos, nesse período, as térmicas são acionadas, de modo a assegurar o completo suprimento de energia para o país. É para isso que elas existem.”

Ele ainda lembrou que no último ano entraram em operação 3.548 megawatts de energia e 2,7 mil quilômetros de linhas de transmissão. Para esse ano, devem entrar em operação mais 8.500 megawatts e 7,8 mil quilômetros de novas linhas.

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Estrangeiros não têm medo de racionamento
Em relatório, a equipe do JPMorgan, após encontros com investidores na Europa, diz que a situação, pelos olhos dos estrangeiros, não é tão ruim como tem sido noticiado por aqui. “Há menos pânico em relação a este tema do que vemos entre os investidores locais, apesar de que em algumas reuniões o tema foi debatido”, afirma.

Ajuda a dissipar o medo uma intensificação das chuvas. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) divulgou que, até a última sexta-feira, o nível dos reservatórios nas regiões sudeste e centro-oeste passou de 28,6% para 28,9%, na comparação com o dia anterior. Na região sul o nível passou de 46,6% para 47,4%. A região norte também viu uma leve melhora, enquanto o nordeste foi a única região que não mostrou alta nos níveis nos reservatórios.

“Entendemos que o nível de chuvas registrado ainda e insuficiente para retirar tais temores de mercado, mas acreditamos que possa trazer certo alento”, escreve a equipe da XP Investimentos, que não trabalha com um cenário de racionamento.

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Entretanto, os analistas da XP alertam que os custos mais caros por conta das usinas térmicas podem afetar negativamente os resultados das distribuidoras, que veem seus custos aumentarem na compra de energia para revenda.