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SÃO PAULO – O banco central norte-americano (Federal Reserve) publica às 15h15 desta terça-feira – horário da Brasília – a decisão de política monetária que, segundo o consenso do mercado, deve manter a taxa básica de juro no país em 5,25% ao ano.
Apesar disso, a atenção do mercado está concentrada no breve comunicado que é publicado logo após o término da reunião. A expectativa, desta vez, não está mais focada nas palavras em relação ao controle da inflação, mas na possibilidade do colegiado mencionar os problemas com o crédito imobiliário norte-americano de alto risco, as hipotecas subprime.
Tom da decisão
Em relação ao tom do comunicado, ainda não existe consenso, e as opiniões se dividem. “O Fomc (Federal Open Market Committee) parece estar disposto a reafirmar o foco nas preocupações com a inflação, mesmo que admita um aumento do risco quanto ao crescimento econômico e uma melhora na performance da inflação”, afirma o banco norte-americano JPMorgan.
O banco Société Générale também mostra ceticismo. “As condições do mercado e a disponibilidade de crédito ainda parecem bastantes saudáveis em comparação com episódios de crédito recentes que forçaram uma reação do Fed“, mostra relatório diário.
Contudo, para o banco UBS, o Fed já poderá sinalizar um aumento da preocupação com o cenário atual. “Nós esperamos que o Fed reconheça que o ambiente financeiro está com um crescimento menos sustentável”, afirma em relatório matinal.
A LCA Consultores segue no mesmo sentido: “os riscos de uma recaída recessiva nos EUA e a trajetória bem comportada da inflação deverão levar o Fed a publicar um comunicado de política monetária um pouco menos conservador”.
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Reconhecendo o subprime
Se a tendência de que o Fed reconheça a redução das preocupações com a inflação se confirmar, as apostas de um corte no juro básico do país devem crescer, mas não só isso. O mercado pode entender que a autoridade monetária está mais preocupada com o crescimento da economia norte-americana, assim como os desdobramentos da crise do subprime.
Para o diretor da corretora Finabank, Edison Roberto Marcellino, qualquer posicionamento do Fed em relação a uma preocupação com uma desaceleração da economia norte-americana pode trazer ainda mais preocupação, “o que deve ter uma influência desfavorável na renda variável”, explica.
“Nesta hora você tem que ter um pouco mais de cautela em relação à exposição ao risco”, diz Marcellino. Segundo o gestor de venda variável da Leme Investimentos, Januário Hostin Júnior, sob esta ótica, o tom do comunicado pode trazer mais instabilidade aos mercados.
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“Se o Fed agir neste sentido, ao mesmo tempo em que indica que pode contra-balancear este desaquecimento da economia norte-americana com um corte no juro, também traz um indicativo de que a crise é maior do que os mais otimistas trabalham hoje”.