MEC endurece regras para medicina; veja o impacto para as ações do setor educacional

Ministério da Educação (MEC) anunciou na véspera que os cursos de medicina com avaliações ruins na prova de 2025 poderão ter suas matrículas suspensas em 2026

Felipe Moreira

(Foto: Karolina Grabowska/Pexels)
(Foto: Karolina Grabowska/Pexels)

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O Bradesco BBI considera potencialmente negativa para as ações listadas em Bolsa a decisão do Ministério da Educação (MEC) de endurecer as regras para cursos de medicina, especialmente para Ânima (ANIM3) e Yduqs (YDUQ3), cujos cursos de medicina representam aproximadamente 55% e 39% do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), respectivamente. A medida pode impactar as educacionais caso os resultados no novo Enamed permaneçam insatisfatórios.

Após o lançamento de uma nova prova do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para formandos de medicina em abril, o MEC anunciou na terça-feira (19) que cursos com avaliações ruins na prova de 2025 poderão ter matrículas suspensas em 2026.

Outras possíveis consequências incluem a suspensão de novos contratos do FIES e do Prouni, redução do número de vagas e até o fechamento do curso caso persistam problemas de qualidade.

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As instituições com nota insatisfatória serão notificadas e terão 30 dias para justificar e propor medidas de melhoria, embora o principal indicador para reverter a restrição seja o resultado do Enamed do próximo ano. O MEC também anunciou a realização de avaliações presenciais em todas as faculdades de medicina a partir de 2026.

Segundo o governo, a forte expansão de vagas em medicina e a piora na qualidade de muitos cursos, especialmente no setor privado (46 mil vagas em 2023 contra 7,4 mil em 2012), justificam as medidas mais restritivas. O próximo exame do Enamed está programado para 19 de outubro, com divulgação dos resultados em 5 de dezembro.

O BBI lembra que, no último Enade, 73% e 56% dos cursos de medicina da Ânima e da Yduqs, respectivamente, foram avaliados como insatisfatórios (notas 1 e 2), acima da média de 37% do setor privado, enquanto apenas 6% dos cursos públicos receberam avaliação ruim.

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O banco também observa que o novo Enamed pode incentivar maior engajamento dos alunos e melhorar as notas, já que os resultados poderão ser utilizados no processo seletivo nacional para residência médica (Enare). Além disso, a legislação atual garante um período de carência para que as instituições corrijam deficiências antes da aplicação de quaisquer restrições.

Em 2023, 21% dos programas de medicina avaliados (37% entre instituições privadas) receberam notas baixas, o que poderia levar a uma redução significativa nas admissões caso as suspensões sejam aplicadas.