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O Bradesco BBI considera potencialmente negativa para as ações listadas em Bolsa a decisão do Ministério da Educação (MEC) de endurecer as regras para cursos de medicina, especialmente para Ânima (ANIM3) e Yduqs (YDUQ3), cujos cursos de medicina representam aproximadamente 55% e 39% do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), respectivamente. A medida pode impactar as educacionais caso os resultados no novo Enamed permaneçam insatisfatórios.
Após o lançamento de uma nova prova do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para formandos de medicina em abril, o MEC anunciou na terça-feira (19) que cursos com avaliações ruins na prova de 2025 poderão ter matrículas suspensas em 2026.
Outras possíveis consequências incluem a suspensão de novos contratos do FIES e do Prouni, redução do número de vagas e até o fechamento do curso caso persistam problemas de qualidade.
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As instituições com nota insatisfatória serão notificadas e terão 30 dias para justificar e propor medidas de melhoria, embora o principal indicador para reverter a restrição seja o resultado do Enamed do próximo ano. O MEC também anunciou a realização de avaliações presenciais em todas as faculdades de medicina a partir de 2026.
Segundo o governo, a forte expansão de vagas em medicina e a piora na qualidade de muitos cursos, especialmente no setor privado (46 mil vagas em 2023 contra 7,4 mil em 2012), justificam as medidas mais restritivas. O próximo exame do Enamed está programado para 19 de outubro, com divulgação dos resultados em 5 de dezembro.
O BBI lembra que, no último Enade, 73% e 56% dos cursos de medicina da Ânima e da Yduqs, respectivamente, foram avaliados como insatisfatórios (notas 1 e 2), acima da média de 37% do setor privado, enquanto apenas 6% dos cursos públicos receberam avaliação ruim.
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O banco também observa que o novo Enamed pode incentivar maior engajamento dos alunos e melhorar as notas, já que os resultados poderão ser utilizados no processo seletivo nacional para residência médica (Enare). Além disso, a legislação atual garante um período de carência para que as instituições corrijam deficiências antes da aplicação de quaisquer restrições.
Em 2023, 21% dos programas de medicina avaliados (37% entre instituições privadas) receberam notas baixas, o que poderia levar a uma redução significativa nas admissões caso as suspensões sejam aplicadas.