MCM: mesmo com medidas de integração, Europa terá recessão em 2012

Segundo a consultora, as ações divulgadas nos últimos dias podem reduzir a possibilidade de colapso do euro, mas não a eliminam

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SÃO PAULO – Apesar das medidas anunciadas na última semana pelos líderes da União Europeia no sentido de aumentar a integração e o rigor fiscal no bloco econômico, a Europa deve mergulhar em uma recessão em 2012. A previsão é da consultora MCM, que acredita, no entanto, que as ações podem impedir um colapso do euro no curto prazo, mas não afastá-lo totalmente.

Em relatório enviado nesta segunda-feira (12), a instituição afirma que o sistema financeiro como um todo no continente vai carecer de facilidades no financiamento, o que continuaria a reduzir o crédito ao consumo e a investimentos, trazendo, assim, uma contração da economia.

Crise não é só fiscal
A MCM é outra que vê a crise na Zona do Euro além do âmbito fiscal. “Ela adquiriu essa dimensão por força das circunstâncias, ligadas a defeitos da formação”, analisa. Isso porque os países do continente têm muitas diferenças, e não há realmente uma união de estabilidade – as transferências monetárias são reguladas, o mercado de trabalho não é unificado, entre outras coisas.

Para tentar resolver o problema da dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), no entanto, a ampliação do Pacto de Estabilidade e Crescimento pode ser importante, apesar de a transição à frente ser longa. Não há regras claras para quanto tempo cada nação terá para cumprir as metas de déficit público, e ainda é necessário se saber quantos Estados efetivamente aceitarão as mudanças.

A ampliação do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) e o adiantamento do ESM (Mecanismo de Estabilidade Europeia) devem aumentar ainda mais os gastos dos governos. A MCM crê no estacionamento de repasse de recursos tanto a esses resgate como ao FMI (Fundo Monetário Internacional), e cita a França, dizendo que uma alta desse financiamento poderia significar perda imediata da nota de crédito máxima de AAA.

Situação dos bancos
Por fim, a consultora lembra dos estudos da ABE (Autoridade Bancária Europeia), que mostra bancos, principalmente os alemães, precisando cada vez mais engrossar o capital. Como a captação direta é dificultada pelos impedimentos no mercado de dívida, e a intermediação financeira está desaquecida por conta da menor procura por crédito, o BCE (Banco Central Europeu) deverá, ainda garantir a liquidez do sistema.

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Apesar de garantir que não tem o papel de financiador dos governos ou dos bancos, o anúncio do presidente Mario Draghi na semana passada foi no sentido de alargar prazos de financiamentos e reduzir exigências de garantias, o que pode ajudar nesse cenário. Mesmo assim, a MCM crava que “a solução definitiva da crise continua muito distante”.