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SÃO PAULO – Modificando as projeções de seu relatório anterior, a MCM Consultores Associados revisou suas estimativas para o dólar em 2010, elevando a taxa de câmbio esperada ao final do ano de R$ 1,75 para R$ 2,00. Segundo a consultoria, pressões tanto no âmbito interno quanto no externo têm ganhado forças nesse começo de ano, contribuindo para o crescimento da aversão ao risco dos investidores.
No front doméstico, a equipe de análise da MCM destaca o aumento no déficit em conta-corrente e a forte deterioração fiscal promovida pelo governo federal ao longo de 2009, fatores que têm contribuído para aumentar a necessidade de financiamento externo. “A necessidade de financiamento externo em 2010 será bem superior ao que se previa há alguns meses”, diz a consultoria.
A MCM também ressalta o fator volátil existente em ano de eleição, assim como a expectativa de que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresça em torno de 5% em 2010. De acordo com os analistas, trabalhar com déficit estável em conta-corrente é saudável para países com baixa poupança, como o Brasil. Mas a situação atual “de déficit crescente apoiado no consumo interno” é sempre preocupante.
“Cedo ou tarde tal quadro produz aumento da percepção de risco dos ativos domésticos e depreciação cambial”, concluem os especialistas, esperando ver uma trajetória de depreciação da moeda brasileira em torno de 10% ao longo do ano.
Pressão no exterior
Passando do âmbito interno para o externo, a consultoria responsável pelo relatório aponta três fatores – um nos EUA, um na Europa e um na China – que têm ajudado a elevar a aversão ao risco nos mercados. Começando pela Europa, onde o desempenho negativo da Alemanha e o agravamento da situação fiscal de Grécia e Portugal colocam em xeque o ritmo de recuperação dos países do velho continente.
Nos EUA, o motivo de cautela gira em torno das medidas de Obama contra o setor financeiro. Na última semana, as propostas anunciadas pelo presidente norte-americano e que ainda passarão por aprovação no Congresso foram muito mal recebidas pelos investidores, provocando uma forte queda nas bolsas de todo o mundo.
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“A ofensiva do presidente Obama contra os bancos norte-americanos introduz um forte elemento de incerteza em relação à sua capacidade (e disposição) de reestabelecer o fluxo normal de crédito e dar maior sustentação à retomada da atividade econômica”, diz a MCM sobre as propostas levantadas por Obama, tais como a cobrança de impostos sobre as instituições auxiliadas durante a crise e a proibição de realizar operações especulativas com capital próprio.
Já na China, a consultoria aponta a recente decisão do governo de limitar as operações de crédito no país como forma de arrefecer o crescimento da demanda interna. Segundo sua análise, essa medida foi interpretada pelos mercados “de maneira exagerada” como um sinal de enfraquecimento da principal economia emergente do mundo.
“Tudo isso deve levar ao aumento da percepção de risco, a um ajuste para baixo dos preços de certos ativos e à apreciação do dólar, visto ainda como o porto mais seguro em tempos de incerteza e turbulência”, concluem os analistas da MCM, justificando a elevação da taxa de câmbio esperada em 2010.