MCM amplia projeções e espera crescimento de 5,2% no PIB brasileiro em 2010

Perspectivas incluem aumento da confiança do consumidor e crédito à pessoa física entre os argumentos para a revisão

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SÃO PAULO – De acordo com a equipe da MCM Consultores, eventuais dificuldades na recuperação dos mercados internacionais não devem comprometer os rumos do mercado doméstico, com previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2010 passando de 4,7% para 5,2%.

Do ponto de vista do consumo, as últimas análises representam que o fortalecimento do mercado de trabalho nacional e o consumidor mantendo a confiança nos rumos da economia, como divulgado na pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) de outubro, são pontos favoráveis ao Brasil que também espera um aumento na concessão de financiamentos para pessoa física, já que o fornecimento de crédito às empresas começa a dar os primeiros sinais de reação.

“Esse movimento, ao lado do crescimento ininterrupto da confiança do empresariado, reforça a hipótese de que os investimentos representarão o elemento dinâmico da demanda em 2010. As exportações deverão ser o único componente do PIB doméstico a apresentar desempenho pífio ao longo do próximo ano, o que é natural, diante de demanda externa enfraquecida”.

Com relação à revisão para cima na projeção para o PIB, a MCM enfatizou que “este percentual é preliminar, e pode sofrer algum ajuste após a divulgação do PIB referente ao terceiro trimestre de 2009, prevista para o dia 10 de dezembro próximo”.

Mercado internacional

Apesar de alguns estudos sugerirem a formação de bolhas nos ativos emergentes devido à atração exercida nos mercados internacionais, a consultoria crê que “o Brasil não deverá encontrar problemas para financiar esse déficit maior” e uma nova queda acentuada na economia nacional apresenta-se “pouco provável”.

Dificuldades externas não preocupam

Devido a lenta recuperação apresentada, principalmente, pelos Estados Unidos, com a retomada da produção sem repercutir na taxa de desemprego do país, que no mês de outubro atingiu 10,2% e a perda recente de 169 mil postos de trabalho em novembro, não devem ser motivos de preocupação para o desenvolvimento doméstico.

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Após uma leitura dos dados acima, analistas chegam à conclusão de que “a economia dos EUA continua destruindo postos de trabalho, embora em passo menor que no auge da crise. Com o mercado de trabalho capengando, as nuvens negras da inadimplência bancária não desaparecem”. Isto reflete na contração de crédito aos consumidores e desenvolvimento do consumo do país.

Crescimento da produção e PIB do Brasil

Apesar de vivenciar um cenário externo fraco, internamente “as perspectivas de crescimento se reforçam a cada novo indicador e nossas projeções atuais refletem boas surpresas”. Esta “surpresa” é a estimativa de crescimento de 2% do PIB brasileiro no terceiro trimestre de 2009, contra o trimestre anterior, dessazonalizado (8,2% em termos anualizados).

“Nossa projeção para o crescimento da produção industrial em outubro é de +1,8%, frente a setembro, com ajuste sazonal (-4,0% sobre outubro de 2008). Esse resultado, se confirmado, deixará o nível de produção da indústria muito próximo da média de 2008. A se manter esta tendência, a produção industrial poderá alcançar crescimento de 2,6% no quarto trimestre de 2009, no cotejo com o terceiro trimestre, com ajuste sazonal”.