MCM acredita que desvalorização do real será duradoura

Consultoria ressaltou que instabilidade financeira externa e desconfiança na política econômica interna sustentam depreciação

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SÃO PAULO – De olho na depreciação forte e rápida do real nas últimas semanas, a MCM Consultores Associados divulgou um relatório nesta segunda-feira (26) sobre a tendência da taxa de câmbio brasileira. Após passar por um longo e contínuo período de apreciação, a desvalorização da moeda brasileira é um fenômemo que “tende a ser mais duradouro”, destacou a consultoria.

De acordo com a MCM, a instabilidade financeira na Europa gerou uma desvalorização do real. “Como não cremos que essa instabilidade possa ser resolvida no curto prazo, não se deve esperar que o real volte ao patamar que prevaleceu até o último mês de julho”, apontou o relatório. Além disso, a desconfiança na política econômica do governo pressiona a moeda. Contudo, esse componente interno é difícil de precisar, pois é influenciado pelas intervenções do Banco Central, que são arbitrárias, complementou a consultoria.

Depreciação foi impulsionada pela queda nas cotações das commodities
O comportamento recente da taxa de câmbio no Brasil pode ser explicado pelos fatores externos, já que a delicada situação financeira internacional, especialmente na Europa, e o baixo crescimento mundial tem levado ao “flight to quality”, ou seja, impulsionou uma corrida para os ativos denominados em dólar, como resultado da apreciação da moeda norte-americana e na retração dos preços de commodities no mercado mundial.

No caso do Brasil, essa tendência é intensificada já que ele é um dos maiores exportadores de commodities do mundo, “visto que os países exportadores de bens de origem primária tem suas moedas desvalorizadas tanto pela alta do dólar em relação a praticamente todas as moedas, como pela queda dos preços das commodities”, ponderou a consultoria.

Desconfiança na política econômica interna sustentou depreciação excessiva
Entretanto, o que se observou no Brasil foi um excesso de depreciação do real em relação à média dos países congêneres, fato que a MCM atribui a fatores internos. “Numa comparação com uma média da taxa cambial real/dólar nos últimos 12 meses, vimos um overshooting do da moeda brasileira. Assim, o dólar deveria ser cotado nesta data em torno de R$ 1,80, contudo atingiu um patamar de 1,90 e depois recuou para R$ 1,85 na sexta-feira (23)”, apontou os consultores da MCM, em relatório.

Segundo a consultoria, esse overshooting ocorreu a partir da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que passou a levantar suspeitas sobre o grau de comprometimento do BC com o cumprimento da meta de inflação em 2012. “Mais concretamente o temor é de que a autoridade monetária estaria perseguindo, mais do que a meta de inflação, os objetivos de sustentar a atividade econômica doméstica e favorecer a desvalorização do real”.

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Assim, apontam os consultores, não se deve esperar apreciação do moeda siginificativa em relação ao patamar de 1,85, devido as incertezas sobre a política econômica interna e suas possíveis consequências sobre a inflação, a não ser que a situação internacional melhore e as cotações das commodities se recuperem, concluiu o relatório.