MBRF passa a ter 2º dia de forte queda após saltar 36% em 6 pregões: o que explica?

Na sessão, o setor de frigoríficos em geral registra perdas

Lara Rizério

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As ações da MBRF (MBRF3) subiram 36% em apenas seis sessões após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25), no último dia 10 de novembro. Contudo, os papéis MBRF3 caíram 8,05% na última terça e registraram baixa de 8,62% (R$ 21,51) nesta quarta-feira (19), após abrirem a sessão de hoje em alta.

Além de MBRF, os papéis da Minerva (BEEF3) caíram 4,12%, a R$ 6,52. Na Bolsa de Nova York, os ativos da JBS (BDR: JBSS32) também fecharam em baixa, mas menos expressiva, de 1,01%.

Para um analista consultado pelo InfoMoney, a queda dos frigoríficos, notoriamente MBRF, ocorre por um movimento de realização após as fortes altas.

“Minerva tem fundamentos para subir, JBS menos e MBRF não tem tanto espaço para subir”, avalia o analista, apontando que MBRF ainda conta com uma posição alugada maior e mais apetite do mercado para venda.

Em relatório, a Ágora Investimentos havia destacado que a taxa de aluguel das ações da MBRF era a terceira maior do Ibovespa, a 23,93%, atrás apenas de Hapvida (HAPV3) e Raízen (RAIZ4).

Nesse tipo de operação de aluguel de ações, investidores que possuem papéis na sua carteira emprestam esses ativos a outros investidores que querem apostar contra a ação (posição short), mediante a cobrança de uma taxa de “aluguel”. Os shorteados (vendidos) alugam os ativos de outro investidor e vendem a ação no mercado à vista.  Assim, quanto mais alta a demanda pelo aluguel, mais alta é a taxa para essa operação.

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Sobre a MBRF, o mercado tem ficado bem dividido sobre as ações, conforme aponta a compilação LSEG: de 10 casas que cobrem os ativos, 4 possuem recomendação de compra, 5 com recomendação neutra e 1 com recomendação de venda.

O Goldman Sachs tem recomendação de compra para MBRF, enquanto a XP e o Bradesco BBI possuem recomendação neutra. O BBI continua a ver a ação sendo negociada com um prêmio em relação aos seus pares com base nos múltiplos, e a provável desaceleração do ciclo de aves sugere um cenário menos favorável para as empresas do setor de proteínas em geral.

A XP aponta aguardar por um horizonte mais claro antes de se posicionar nas ações. “Com muitos novos fatores e consolidando impactos da recompra de ações, aumento de participação na BRF, pagamento de direitos de retirada, além de dividendos e juros sobre capital próprio, preferimos aguardar à margem por mais clareza e reiterar nossa recomendação neutra”, afirmam os analistas.

Cabe ressaltar que a queda das ações ocorre mesmo após boa notícia para a empresa. A União Europeia (UE) confirmou ao governo brasileiro, por meio de carta oficial, o restabelecimento do sistema de habilitação por indicação da autoridade sanitária nacional, o chamado pre-listing, para estabelecimentos exportadores de carne de aves e ovos do Brasil.

Para a Genial Investimentos, o anúncio é positivo para MBRF, uma vez que as 12 plantas da antiga BRF, bloqueadas desde a Operação Trapaça, em 2018, devem voltar a exportar nas próximas semanas.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.